Alunos da FCT/Unesp protestam contra possíveis cortes e atrasos

Em paralisação na manhã de ontem, cerca de 200 estudantes demandaram repasse de auxílios e acesso à moradia no campus; diretor diz que bolsas estão em processo de pagamento

ANDRÉ ESTEVES - Da Reportagem Local • 10/05/2018 18:56:23

Alunos formaram barricada em frente aos portões da FCT para controlar acesso ao campus. Foto: Marcio Oliveira

Estudantes da FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista) de Presidente Prudente lideraram, ontem, uma paralisação em protesto contra possíveis cortes e atrasos no repasse dos auxílios de permanência estudantil. No começo da manhã, os alunos formaram uma barricada em frente aos portões da universidade para controlar o acesso ao campus. A entrada dos funcionários foi liberada, desde que fizessem o caminho a pé. De acordo com a organização, cerca de 200 estudantes participaram do ato, sendo que a maioria é dependente das bolsas. Caso a FCT não ofereça uma devolutiva ao grupo de manifestantes hoje, os organizadores cogitarão a possibilidade de estender o movimento ou até mesmo deflagrar uma greve.

No final da manhã de ontem, o diretor da unidade, Rogério Eduardo Garcia, informou que as bolsas concedidas aos estudantes veteranos já estão em processo de pagamento, ao passo que a análise da documentação dos calouros costuma levar mais tempo, considerando que tal procedimento é feito em todo o Estado. O professor esclarece que todos os benefícios são pagos sempre no décimo dia útil a partir do terceiro mês de aula da graduação. Um levantamento feito em janeiro mostrou que mais de 500 bolsas são fornecidas na unidade.

O diretor confirma que houve a suspensão de algumas atividades internas ontem. Questionado sobre os alunos que ainda não tiveram acesso ao programa de moradia estudantil, que é uma das principais demandas do movimento, Rogério afirma que alguns deles estão no campus como hóspedes, isto é, têm acesso à moradia de forma temporária – “às vezes, em condições precárias”, comenta. Já outros procuram repúblicas como alternativa.

Ocorre que, muitas vezes, os graduandos não possuem meios de custear por conta própria a moradia, como é o caso da estudante Mariana Cristina de Paiva da Silva, 25 anos, que há um mês foi comunicada de que não teria direito à vaga e precisaria procurar uma república “o mais rápido possível”. Os gastos, contudo, pegaram de surpresa seus pais, que estão se desdobrando para manter a jovem em Prudente. “Eles estão conseguindo bancar o aluguel com muito sacrifício e até fazendo vaquinha entre meus irmãos. Para a alimentação e as contas, não estão tendo condições de mandar [o dinheiro]”, expõe. Por conta disso, Mariana já chegou a considerar o trancamento do curso. “Porque uma coisa é você passar dificuldade perto de casa. Outra é passar por isso há mais de 600 quilômetros de distância, sem ter como ir para casa quando as coisas apertarem”, lamenta a unespiana.

Aporte desde o início

Além de reivindicar a permanência estudantil, dois representantes da moradia que não quiseram se identificar apontam que o grupo questiona a Cope (Coordenação de Permanência Estudantil) por “descumprir o seu papel no sentido de garantir a bolsa ao aluno no momento em que ele chega à universidade”. Os membros afirmam compreender a atual conjuntura econômica do país, mas destacam a necessidade de a diretoria entender que, se o estudante entra na faculdade a partir de fevereiro, é a partir deste mês que ele já estará passando por alguma dificuldade. “Embora soe muitas vezes como um favor, isso é um direito nosso assegurado pelo regimento da Cope. Queremos que faça valer e esse descaso termine”, ponderam.

Eles completam que esse tipo de situação traz prejuízos que vão desde o psicológico até o financeiro. Destacam que hoje, a FCT é o segundo maior campus da Unesp no Estado e grande parte dos cursos ofertados é de licenciatura, que tende a atrair pessoas mais carentes. “Se chegam aqui e não encontram o aporte da universidade, o que ocorre muito é a evasão”, consideram.

Em nota divulgada em abril, a Unesp expôs que, em 2018, havendo disponibilidade orçamentária, o objetivo da Cope é atender, assim como em 2017, todas as solicitações de bolsas para estudantes oriundos da rede pública de educação básica com renda per capita familiar de até 1,5 salário mínimo. Segundo a instituição, neste ano, houve um aumento de 9,7% em relação ao ano anterior nos recursos aplicados para permanência estudantil pela atual gestão da reitoria.

SAIBA MAIS

Dentro dos critérios estabelecidos, a Unesp prevê diferentes modalidades de auxílios, como moradia estudantil (1.240 vagas no Estado); restaurante universitário (10 distribuídos entre os campus); auxílio socioeconômico (R$ 350); auxílio aluguel (R$ 250); subsídio alimentação (R$ 75); auxílio especial (R$ 350); e auxílio estágio (R$ 350).

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