Dia do Samba Adeptos celebram ritmo e relembram histórias

 02/12/2017  - IVE CAROLINE - Da Redação

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Se depender dos prudentinos apreciadores do samba, ele jamais irá morrer e, muito menos, acabar! Completando 101 anos de história neste dia 2 de dezembro, o ritmo musical é prova de que o Brasil não é apenas conhecido pelas belas paisagens, pelos craques de futebol, nem muito menos pelas novelas televisivas que fazem sucesso no exterior. Quando alguém pensa em Brasil, geralmente a mente salta: mulheres, carnaval e, samba. Isso mesmo, o Samba. E, para homenagear esta data, artistas da cidade expõem sua paixão pelo gênero de sucesso.

Sempre envolvida no cenário musical prudentino, Adriana Cavalcanti conta que seus projetos visam o “resgate de grandes nomes da música brasileira, especialmente do samba e MPB”. Além de relembrar os talentos nacionais do passado, a cantora realiza projetos musicais voltados a grandes nomes do ritmo, como o recente trabalho “Cartola e a Velha Guarda do Samba”. Sobre suas “viagens” ao universo ritmado, melódico e contagiante do samba, ela explica:

“Eu comecei a me apaixonar pelo samba porque, ao mesmo tempo em que ele é ritmado, cadenciado e com adiantamento de tempo, ele também tem a letra doce, melódica e sofrida. Cartola, por exemplo, é minha grande paixão, assim como Noel Rosa, Orlando Silva, Pixinguinha e Ary Barroso também são grandes influências que me fizeram amar esse gênero musical. Eu me apaixono por tudo que o samba carrega, é uma doçura, interpretada lindamente e, ao mesmo tempo, com um instrumental forte”, conta.

Outra representante deste aclamado gênero musical é Elly Guimarães. Prudentina e dona de uma voz marcante e potente, suas principais influencias são Beth Carvalho, Clara Nunes, Martinho da Vila, Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Cartola e Nelson Cavaquinho, e ela se sente “extremamente honrada por poder levar o samba não só em Prudente, mas também na região”.

“Para mim, o samba é a minha vida, minha história, minha alma e eu sinto o êxtase se apoderar de mim quando escuto ou canto um samba. Uma vez ouvi do grande cantor, compositor e sambista Péricles a seguinte frase: ‘O samba não morrerá nunca, mas é como uma planta que precisa ser sempre regada’, eu estou fazendo a minha parte”, pontua a cantora.

 

No batuque do samba

Apesar das belas composições, o que realmente é a marca do samba, são os instrumentos percussivos e ritmados que trazem vida ao ritmo. E disto o músico Thiago Lima entende bem! Seja pandeiro, tamborim, surdo, reco-reco, cuíca, bandolim e todos os outros: o prudentino sabe tocar. Deste jeito, a paixão pelo samba não poderia ser diferente.

“O samba pra mim é o orgulho de todo brasileiro. Tenho muito orgulho do samba, por ele ser tão admirado por tantos outros países. Isso nos ajuda muito como músicos, mostra nossa cara para o mundo e, se for feito com qualidade, nosso trabalho pode ser pelo mundo inteiro”, enfatiza Thiago, que já gravou um CD que foi lançado em Tóquio, no Japão.

Sobre o gênero, o músico explica que as variações que vieram sendo construídas ao longo dos anos, todas descendem do bom e velho samba 4x4 e salienta que não se deve julgar nenhuma mistura dos ritmos, “pois o samba é o próprio resultado de misturas rítmicas africanas que, ao passar do tempo, foi criando sua identidade própria”, acrescenta.

 

Paixão

Além dos cantores, interpretes de grandes ídolos do samba em Prudente, existe um “cara” que é apaixonado pelo samba e cultiva uma grande paixão há 30 anos. É o famoso engraxate José Carlos Garcia Nunes, o Braminha, como é carinhosamente conhecido na cidade. Em sua casa, o samba está por todos os lados com quadros que exibem mais capas de vinis, de grandes ícones do samba, como Cartola, Nelson Cavaquinho, Pixingiuinha, Silvio Caldas, Paulinho da Viola, Ataulfo Alves, Ismael Silva e, especialmente os parceiros Vadico e Noel Rosa. Especialmente porque o prudentino contou que, há poucos dias, foi até a capital paulista só para garantir sua unidade de um livro que conta a história da dupla de cantor e compositor.

“Eu sou amante da música boa e tento sempre resgatar o samba para mostra-lo as novas gerações. Noel Rosa é praticamente a trilha sonora da minha história, de tanto que o acompanhei e continuo acompanhando, só que agora em obras literárias e musicais especiais que revivem a memória deste grande artista que, ao lado de Vadico, produziram músicas inenarravelmente belas”, conta Braminha.

 

A história do samba

O samba é um ritmo musical criado pelos escravos africanos que, de acordo com a Biblioteca Nacional, que se tornou símbolo da tradição cultural brasileira, patrimônio imaterial e também foi reconhecido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 2005 como Patrimônio da Humanidade.

Conforme a instituição, o ano de 1916 entrou para a história da música popular brasileira graças à iniciativa de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, mais conhecido como Donga, autor da canção “Pelo Telefone”, considerado naquele ano como o primeiro samba brasileiro, contando com a partitura manuscrita para o piano feita por Pixinguinha. O registro da obra foi efetuado pela Biblioteca Nacional em 27 de novembro de 1916, com o número 3.295.

Segundo a Biblioteca, a palavra samba procede da expressão africana semba (umbigada), empregada para designar dança de roda, popular em todo o Brasil. Os sambas mais conhecidos são os da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Na Bahia, adquiriu denominações conforme as variações coreográficas. No Rio de Janeiro, inicialmente era a dança de roda entre os habitantes dos morros, daí nasceu o samba urbano carioca, espalhado por todo o território nacional, gerando outras vertentes como o partido alto, pagode, samba rock, samba enredo, entre outros.

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