Acolhidos narram luta travada contra dependência química

Após ter a rotina afetada pelo uso do crack, Rodrigo Luciano Silva decidiu recorrer aos serviços da entidade; já Robson Bueno finalizou tratamento e agora é funcionário do local

ANDRÉ ESTEVES - Da Reportagem Local • 01/03/2018 13:45:39

Ao final de uma estrada de terra da Rodovia Raimundo Maiolini, em Presidente Prudente, está localizada a comunidade terapêutica do Esquadrão da Vida, entidade que tem como principal missão a prevenção de vícios e recuperação de vidas por meio da prestação de serviços assistenciais e psicológicos. Foi ali que o vendedor Rodrigo Luciano Silva, 36 anos, encontrou uma luz no fim do túnel após ter sua rotina drasticamente afetada pela dependência química. O tempo vivido dentro da unidade é disciplinadamente contado, uma vez que cada dia representa um a menos no contato com as drogas: já são três meses e três dias, metade do tempo mínimo requerido para o tratamento. A perda do convívio social e familiar foi um dos fatores preponderantes que fizeram o prudentino buscar a instituição, onde conseguiu forças para se manter limpo.

Ele relata que o uso do crack começou por curiosidade e influência de amigos. O consumo da substância era para ser, inicialmente, uma experiência casual, mas se tornou corriqueira, a ponto de Rodrigo virar um escravo do entorpecente. Antes de conversar com a reportagem, o atendido fazia a leitura de um livro intitulado “Livrando-se do cárcere das emoções”, cuja mensagem se mostra oportuna durante a entrevista. “O autor diz que há escravos que são presos livres e livres que são escravos. Em certo momento da vida, eu me tornei um escravo da droga e, graças a essa casa, hoje sou um homem livre”, expõe. Embora os resultados alcançados ainda não cheguem a 100%, considerando que a dependência química é uma doença sem cura, o vendedor comemora os passos dados até agora.

O apoio dos pais, irmãos e namorada corrobora para o êxito do tratamento. Ele recebe visita quinzenal dos familiares e tem a oportunidade de ligar para eles aos finais de semana. A empresa onde trabalha também presta todo o suporte de que precisa. Embora a reclusão tenha sido necessária, o vendedor continua registrado e com a promessa de encontrar as portas abertas quando concluir sua estadia no Esquadrão da Vida.

Apesar de já ter cumprido todas as exigências da casa, Robson Bueno, 41 anos, não deverá deixar a entidade tão cedo. Isso porque as suas qualificações possibilitaram que ele fosse admitido como pedreiro na instituição. A decisão de ser atendido pela unidade também foi autônoma – “e com o incentivo de Deus”. O apoio da mãe foi indispensável durante a caminhada, que foi marcada por momentos difíceis.

“Há situações em que você quer se render novamente ao vício, mas, quando superadas, o resto é tirado de letra. Para quem precisa de ajuda, o Esquadrão é o melhor lugar para onde vir. Até porque se não fosse bom, por qual razão eu ia querer continuar como funcionário?”, afirma. Mesmo diante dos percalços, seu desempenho é celebrado. “Não foi fácil concluir o tratamento, porém, sou um novo homem”, considera.

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