Weverson Nascimento - Gilson ficou paraplégico após acidente de moto em 2016

Foto: Weverson Nascimento - Gilson ficou paraplégico após acidente de moto em 2016

NA PELE

Acidentes podem trazer lesões irreversíveis

O que seria um feriado de descanso para Gilson, resultou em uma fratura na medula no nível da t7, o que ocasionou em um quadro de paraplegia

  • 08/06/2019 08:45
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Redação

No Brasil, no dia 7 de setembro se comemora o Dia da Independência, momento que ficou conhecido pelo episódio do “Grito do Ipiranga”. Mas está data não é tão feliz ou mesmo de independência para Gilson do Nascimento, 49 anos. No feriado de 2016 ele estava de folga do trabalho e, de manhã, foi ao supermercado de carro com a esposa, mas por destino, como o mesmo diz, faltou um produto e voltou de moto até o local para buscar.

Chegando lá, não gostou do item que tinha encontrado e voltou por uma rua, a qual considerava estar totalmente calma por ser um feriado. “De repente, sem eu esperar, atravessou um carro na minha frente, eu bati e não vi mais nada. Se você me perguntar a cor do carro, o modelo eu não sei, porque do jeito que bateu eu apaguei na hora”.

O que seria um feriado de descanso ocasionou para Gilson, uma fratura no punho esquerdo, lesão no pulmão, costelas quebradas, escoriações pelo corpo, traumatismo craniano e aquela que seria a notícia mais triste do episódio: com a batida ele fraturou a medula no nível da t7, o que ocasionou um quadro de paraplegia. “Depois que eu acordei o médico explicou que iria ficar em uma cadeira de rodas. Não foi fácil! O primeiro ano foi difícil, porque eu estava bem, com 46 anos, tinha conquistado a minha casa e com aquele acidente eu tive que começar totalmente do zero”.

Às vítimas de acidentes de trânsito passam por um longo processo de reabilitação e podem ter sequelas para a vida toda, explica a médica fisiatra do Serviço de Reabilitação Rede Lucy Montoro de Prudente, Carolina Mendes Pinheiro Nakama, 37 anos. “As consequências não são apenas para o acidentado. Muitas vezes, a deficiência severa pede que alguém da família se dedique à vítima por tempo integral”, completa.

Aceitação

Após a aceitação, Gilson explica que com apoio da família, começou fazer fisioterapia através da Rede Lucy Montoro. “Eu não conseguia nem sentar em uma cadeira, pois eu cheguei praticamente morto no hospital e com o tempo eu tive progresso no sentar e em movimentos com meu corpo”.

De acordo com a médica fisiatra, com relação aos pacientes atendidos na unidade, espera-se um processo quantificado, que mostra o quanto o trabalho gera retorno à sociedade. “O progresso é a pessoa conseguir o melhor da capacidade funcional dela, então o objetivo é fazer com que a pessoa tenha independência funcional, que ela consiga fazer as atividades diárias do dia a dia, atividade de trabalho e reinserção social da melhor forma possível, pois essas pessoas continuam contribuindo com a sociedade com as habilidades que possui”, diz.

Com o passar do tempo, Gilson relata que nada mudou em sua vida e que só teve que aprender a começar do zero. “Não vai ser uma cadeira de rodas que vai me impedir de ser feliz, eu apenas não estou andando, mas eu faço todas as coisas que eu fazia antes. Desde o início do acidente eu tenho total apoio da minha família e agradeço a Deus pela nova chance de vida”, enfatiza.