Marco Vinicius Ropelli - Estudantes da Unoeste colaboraram na distribuição de informativos e flores

Foto: Marco Vinicius Ropelli - Estudantes da Unoeste colaboraram na distribuição de informativos e flores

BUSCAR A LUZ

Ação alerta sobre sinais que antecedem o suicídio

Evento, que faz parte do Setembro Amarelo, distribuiu panfletos informativos e girassóis às pessoas que passavam na Praça Nove de Julho

  • 18/09/2019 05:29
  • MARCO VINICIUS ROPELLI - Especial para O Imparcial

O girassol, além de ser amarelo vibrante, possui uma característica que o torna ainda mais importante: sempre acompanha o movimento do sol como quem busca a luz. É por isso que a flor foi escolhida como símbolo do Setembro Amarelo, mês destinado ao combate ao suicídio. Na manhã de ontem, na Praça Nove de Julho, em Presidente Prudente, girassóis e informações foram distribuídas aos munícipes em uma ação conjunta do HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo e Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).

“Junto com os alunos da Unoeste e a Associação Prudentina de Psiquiatra, estamos distribuindo panfletos de orientação, para as pessoas perceberem sinais de comportamento suicida e distribuição de flores para mostrar que tem que se comemorar a alegria de viver, o amarelo do setembro amarelo já tem a ver com alegria”, destaca a médica psiquiatra responsável pela ação, Gilmara Peixoto Rister, 41 anos.

Colaborando com as atividades estavam psicólogos, enfermeiros e médicos do HR, além de graduandos das mesmas áreas da Unoeste. A psiquiatra destaca que mais de um milhão de pessoas são vitimadas anualmente no mundo pelo suicídio. Em Presidente Prudente não é diferente, ela destaca que todos os dias os hospitais da cidade atendem casos de pessoas que tentaram ceifar a própria vida, em especial os adolescentes.

“Por isso é importante mostrar que a campanha está próxima das pessoas, para que elas saibam onde buscar ajuda, saibam identificar sinais de comportamento suicida em si ou nos seus familiares, para poder prevenir esse desfecho tão triste”, salienta Gilmara.

Atento aos sinais

A aposentada Vilma Fátima Bianche, 66 anos, conta que já passou por depressão tendo, inclusive, pensado algumas vezes em cometer suicídio. Ela e duas amigas que passavam pelo calçadão da Rua Tenente Nicolau Maffei receberam o panfleto e os girassóis. “É muito, muito, muito importante o trabalho que estão fazendo, a alegria que deram para nós em entregar essas flores, é um trabalho muito bonito”, afirma Vilma, que enfatiza ter se recuperado com ajuda médica e apoio da igreja.

“Os transtornos mentais que mais estão ligados ao suicídio são: a depressão, transtorno afetivo, bipolar, uso de substâncias e esquizofrenia”, explica a psiquiatra, que completa mostrando as formas de procurar ajuda: “Procurar qualquer serviço de saúde mental. Aqui no município nós temos UBSs [unidades básicas de saúde] que tratam a saúde mental, nós temos centro de atenção psicossocial e, em casos de emergência médica, deve-se acionar o serviço de ambulância e levar ao pronto-socorro, porque qualquer médico, qualquer serviço de saúde, tem que estar apto a cuidar dessa emergência médica”, pontua.

A auxiliar de enfermagem Isamara Rodrigues, 30 anos, em seu trabalho na área da saúde, já viu casos de suicídio e destaca que, na maioria das vezes, as famílias se culpam por não ter notado os sinais. “Eu acho importante esse alerta, porque, às vezes, nem quem é da família, que está próximo, ou nem quem está pensando, tendo alguns sinais de que vai cometer o suicídio, tem essa noção. Esses tópicos compartilhados aqui são um alerta para as pessoas ficarem atentas ao que pode vir a acontecer”, salienta.

Serviço

Hoje, às 10h, ocorrerá no anfiteatro do HR um bate-papo com os mesmo profissionais que guiaram as ações de ontem. O evento visa informar e prestar assistência aos moradores da região. Para chegar até o local, basta pedir informações na recepção do hospital.