Abandono do modal ferroviário torna região de Prudente “refém” de rodovias

24/05/2018 08:23:17

As paralisações dos caminhoneiros em rodovias de nove cidades da região e seu o impacto no abastecimento de alimentos e combustíveis só enfatiza o quão dependente hoje é o oeste de São Paulo do modal rodoviário. Esse fenômeno é resultado direto de um processo gradual de abandono e sucateamento da ferrovia ao longo da última década, o qual, inclusive, se tornou alvo da Justiça Federal seis anos atrás – com a execução de um acordo firmado com a Rumo/ALL (América Latina Logística) em 2011, que deixou de ser cumprido já no ano seguinte.

Desde então empresários, entidades representativas e autoridades políticas realizam tratativas intermináveis com a concessionária no intuito de poder trazer novamente à vida a via férrea, sem sucesso. A pauta, que até então parecia ser de interesse de um grupo, apenas, agora revela a sua relevância para a comunidade em geral. O “Rodoviarismo” do governo federal deveria ter sido contido logo em seu início, bem como o uso de combustíveis como ferramenta para controlar a inflação.

Os protestos dos motoristas são legítimos, sem dúvida. Influenciados pela alta recorde no dólar e no preço do barril de petróleo, é fato que a escalada de preços tornou o valor praticado para os combustíveis um “assalto” ao bolso do consumidor. A gasolina hoje quase chega aos R$ 5, o etanol está começando a ter uma tímida alta mercadológica, e o diesel sofreu aumento de 7,5%.  E nesse cenário, é importante voltar as atenções para medidas tencionadas pelo governo, diante da pressão popular: reduzir impostos zerando a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) - que inclusive tem menor peso sobre a tributação - ou mudando a política de preços da Petrobrás, algo também desaconselhado por economistas.

Mais uma vez são oferecidas soluções paliativas para problemas estruturais que se arrastam há anos. Não é novidade que tapar o sol com a peneira não resolve nada, de fato, mas ainda assim a administração pública tem sido conduzida dessa forma há anos. É necessário ampliar a discussão, aproveitando esse “gancho” do aumento do diesel para ir além da simples cobrança de redução nos valores. Começar a pensar em uma nova forma de se fazer política, pensando em medidas que tragam impacto no médio e no longo prazo. Abandonar assim tolerância às políticas públicas que visam: na pior das hipóteses um arrefecimento dos ânimos inflamados, e na melhor das hipóteses a manutenção do poder nas mãos dos mesmos grupos de sempre.

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