A entrega de flores em vida minimiza a dor da partida

08/01/2018 19:41:00

“Eu quero viver a vida, quero flores em vida, colhidas no jardim do amor / Já não me esqueço, hoje ofereço, flores em vida, enquanto é dia.” Dos aclamados sertanejos Zezé de Camargo e Luciano ao músico cristão Paulo César Baruk, é relembrada a importância da valorização dos entes queridos ainda em vida, enquanto há tempo. Na edição de hoje, noticiamos com pesar o falecimento do jornalista, radialista e ex-vereador Sérgio Jorge Alves, relevante personalidade do esporte e jornalismo do oeste paulista.

Ao analisar a trajetória do professor é possível notar que, felizmente ele pôde desfrutar de homenagens por sua contribuição para a comunidade prudentina ao longo dos últimos anos. Com isso, permanece um exemplo de como agir e um lembrete sobre a efemeridade da vida, como bem afirmou o salmista: “O homem é semelhante a um sopro; os seus dias são como a sombra que passa” (Sl 144:4).

Em tempos de relações pessoais, profissionais e sociais tão superficiais e passageiras, é necessário dar um “pause” na locomotiva desenfreada da rotina dos dias, e voltar os olhos para o que é permanente: a memória. No último ano, Prudente completou cem anos de sua fundação. Já não existe boa parte das pessoas e da materialidade que participaram desse percurso, mas foi possível acompanhar que mesmo que centenárias, as histórias são recontadas e revividas até os dias de hoje.

Um ano novo se iniciou, e com ele veio o misticismo de um recomeço, de uma nova chance, de infinitas possibilidades descortinadas aos olhos de todos. Mas a realidade é que não é necessário estar em 1º de janeiro para se decidir trocar a vã temporalidade afixando os olhos na sublime plenitude da eternidade. Muitas outras pessoas ocuparam as páginas de obituário deste jornal já nos primeiros dias do ano.

Ainda que nem todas sejam figuras públicas como o professor Sérgio Jorge, todas são importantes para seus amigos e familiares, tendo impactado vidas, inevitavelmente. Duas reflexões derivam da verdade dessa afirmativa. A primeira é o tema deste editorial, a necessidade de que se entreguem flores em vida. A segunda, mais introspectiva – mas de modo algum, menos importante – fala sobre a forma como cada um marca àqueles que o cercam, independendo de sua vontade. Para muitos, essa responsabilidade é suficiente não só para um novo ânimo no ano novo, mas uma força propulsora para a vida que segue para destino inevitável ... que é sempre, de um recomeço.

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