A doença da xenofobia

  • 18/01/2020 04:33
  • Lino Rampazzo

A palavra “xenofobia” provém de dois termos da língua grega: xénos, que significa estranho; e phóbos, que significa medo. Refere-se à aversão ou à profunda antipatia em relação aos estrangeiros, à desconfiança em relação às pessoas que vêm de um outro país com cultura, hábito, raça ou religião diferentes.

É preciso diferenciar o motivo pelo qual algumas pessoas não vivem mais no país, ou na região onde nasceram. Imigrante é aquele que entra em um país estrangeiro, com o objetivo de residir ou trabalhar. Portanto, o termo imigração é usado para a entrada de pessoas em um país estrangeiro, enquanto emigração significa o movimento de saída de pessoas de um país para morar em outro. A migração é utilizada para descrever a mudança entre regiões. Por exemplo, alguém que morava no Nordeste do Brasil, migrou para o Sudeste. Já os refugiados são pessoas que deixam seus países para escapar da guerra e da perseguição.

Daí nasce o problema: como essas pessoas que, por diferentes motivos, deixaram seu país de origem serão recebidas pela sociedade? Infelizmente, existe em muitas sociedades, uma atitude de aversão em relação aos estrangeiros. Como exemplo, temos a atitude do nazismo diante dos judeus. Nos dias atuais, a Europa está recebendo, especialmente na região Sul, milhões de refugiados que fogem da guerra da Síria e migrantes, geralmente africanos, que fogem da miséria em que vivem. Nessa fuga, não são poucos os que morrem durante a viagem por terra ou mar.

Segundo o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para  Refugiados) da ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 70,8 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a deixar suas casas. Entre elas, estão 25,9 milhões de refugiados, sendo a metade menores de 18 anos. É comum aos que chegam num novo país experimentar uma atitude de rejeição, até uma rejeição organizada.

Mas, no meio de tantas expressões de xenofobia, há atitudes de “acolhida”, seja na sociedade, ou na Igreja. Desde 1912, a Cúria Romana dispõe de um organismo próprio para tratar do assunto, com o Ofício Especial para a Imigração, instituído por Pio X. Em 2017, dentro do novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, foi criada a Seção para Migrantes e Refugiados.

Quanto à Sociedade Civil, a ONU tem duas datas significativas, criadas no ano 2000: 18 de dezembro, Dia Mundial do Migrante ou das Migrações; e 20 de junho, Dia Mundial do Refugiado.

Jesus, ainda menino, foi um “refugiado”, pois precisou fugir para o Egito, porque Herodes queria matá-lo. E, no juízo final, ele se posicionará diante de cada de nós, também com estas palavras: “Eu fui estrangeiro e me acolhestes” (Mt 25,35). Dá para pensar!

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Lino Rampazzo

Lino Rampazzo

Lino Rampazzo é doutor em Teologia e coordenador do Curso de Teologia da Faculdade Canção Nova (Cachoeira Paulista)

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