No CadÚnico

95% dos deficientes têm renda entre R$ 490 e R$ 1,2 mil

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 05/12/2018 05:33:00

Foto: José Reis - Para Eliane, é preciso conscientização social e preparo para receber deficientes

Em Presidente Prudente, 5.114 pessoas com deficiência estão cadastradas no CadÚnico (Cadastro Único). Deste total, 95% contam com renda entre R$ 490 e R$ 1,2 mil, sendo que 80% recebem menos que um salário mínimo (R$ 954). Para a representante da Coordenadoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Eliane Ferrari Chagas, este cenário pode estar diretamente ligado à falta de oportunidades, não apenas no mercado, mas também de capacitações oferecidas para as pessoas com deficiência. “Para que a renda seja maior, essas pessoas precisam ingressar no mercado e, para isso, necessitam de capacitações. É uma via de mão dupla, a empresa tem que estar pronta para recebê-los e eles devem estar prontos para designar as funções”, considera. O assunto foi tratado na manhã de ontem, na FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista).

Para Eliane, o CadÚnico possibilita o acesso, mas é a consciência e o desenvolvimento de ações específicas que possibilitam a qualidade e a permanência do deficiente em um serviço. “Temos trabalhado muito para a conscientização social, tirar do papel e fazer com que as pessoas entendam e estejam preparadas para receber os deficientes, seja no mercado de trabalho ou em qualquer espaço de convívio”, expõe.

A palestra “Análise das pessoas com deficiência do CadÚnico em Presidente Prudente” teve como finalidade traçar o perfil desses cidadãos – condições financeiras, tipos de deficiência e idade – e dar base para o desenvolvimento de políticas públicas mais direcionadas. O evento abriu a Semana da Pessoa com Deficiência, que se estende até 10 de dezembro com uma programação de cursos, ações, exposições e seminários em prol da reflexão sobre a realidade deste público.

A iniciativa é uma realização da Prefeitura de Presidente Prudente, por meio do Condef (Conselho da Pessoa com Deficiência), em parceria com a Coordenadoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e demais pastas e instituições competentes. O CadÚnico é uma base de dados desenvolvida com o objetivo de identificar as pessoas de baixa renda existentes no município para fins de inclusão em programas de assistência social. Hoje, em Prudente, de acordo com a Coordenadoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o sistema possui 25 mil famílias cadastradas, que resulta em aproximadamente 85 mil pessoas. Desta forma, 6% do total são deficientes, sendo que dos 5.114 inseridos no CadÚnico, 4.091 (80%) têm deficiência visual, física ou intelectual

Presente na ocasião, o vice-prefeito Douglas Kato Pauluzi (PTB) afirma que, a partir dos dados, é possível conhecer o público com o qual a cidade lida e o total de pessoas que se encaixam na categoria de deficientes “facilitando o atendimento de suas necessidades”. Pensando no cenário de majoração de deficiências, ele afirma já estar em trâmite um investimento relacionado à acessibilidade voltado para deficientes físicos e visuais, no entanto, ainda depende de conseguir recursos.

Demais pontos

Com base na mesma pesquisa, apresentada por Gilberto Alcântara, pesquisador do curso de Estatística da Unesp, é possível perceber que a maioria dos deficientes se encontra na faixa-etária de 31 a 59 anos. Dentro disso, constata-se que 38% são idosos e 40% adultos. Isso se explica porque, conforme Eliane, essa população está mais propensa a sofrer acidentes, seja de trânsito ou até mesmo de trabalho. “A maioria se torna deficiente físico ou visual, se destacando nas estatísticas”, conta. Além disso, denota que o envelhecimento, derrame e doenças como diabetes podem ajudar a potencializar os números.

NÚMEROS

25 mil

famílias prudentinas são cadastradas no CadÚnico

85 mil

pessoas são registradas no sistema

5.114

deficientes estão presentes no cadastro

4.091

estão na categoria de deficiência visual, física ou intelectual

38%

são deficientes idosos

40%

são deficientes adultos

31 a 59 anos

é a faixa-etária com maior propensão de deficientes

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