9 cidades têm alto índice de problemas com crack

Mapeamento é da Confederação Nacional dos Municípios, com base em informações fornecidas pelas próprias prefeituras

REGIÃO - André Esteves

Data 16/06/2017
Horário 12:10

Das 53 cidades que compõem a 10ª RA (Região Administrativa) de Presidente Prudente, nove apresentam alto índice de problemas relacionados ao consumo de crack. Estão inclusos na lista vermelha os municípios de Álvares Machado, Dracena, Irapuru, Martinópolis, Osvaldo Cruz, Pacaembu, Presidente Epitácio, Presidente Venceslau e Teodoro Sampaio. As informações foram disponibilizadas pelo Observatório do Crack, portal da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), que busca traçar um mapa da existência e intensidade da drogadição no território brasileiro.

De acordo com o consultor da confederação, Eduardo Stranz, o estudo é realizado com base em dados fornecidos pelos próprios gestores municipais, geralmente secretários da Saúde, Assistência Social e Educação, que respondem a um questionário sobre as ações realizadas no combate ao crack e outras drogas, quais as estruturas existentes e os recursos disponíveis, além de classificar o nível do problema em alto, médio, baixo ou sem problema. Na região de Prudente, 29 municípios têm índice médio, enquanto apenas seis possuem nível baixo. Outras nove prefeituras não responderam o questionário (veja tabela).

Para Eduardo, o resultado permite a socialização das informações e enfatiza a importância de promover políticas públicas a fim de conter esse cenário alarmante. O consultor acrescenta que a discussão da problemática voltou a ganhar força nas últimas semanas, após uma intervenção das polícias Militar e Civil na cracolândia (SP).

 

Políticas públicas

Com o objetivo de repercutir o cenário, a reportagem entrou em contato com três prefeituras que figuram a lista vermelha do Observatório do Crack. Em Álvares Machado, a Divisão Municipal de Saúde atende cerca de cinco pessoas com dependência do crack. O setor aponta que muitas vezes a família procura a ajuda, no entanto, o dependente não segue os tratamentos, o que justifica a baixa adesão entre os usuários. Já os casos graves são encaminhados ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Prudente e aqueles que aderem ao tratamento são encaminhados para unidades terapêuticas na região. O Departamento de Comunicação do município adianta que está prevista para agosto a implantação do Caps 1 (Centro de Atenção Psicossocial), que favorecerá uma abordagem maior para os munícipes com transtorno mental e dependentes de álcool e outras drogas.

Já em Dracena, conforme a última atualização do Caps municipal, referente ao mês de maio, foram atendidos 357 pacientes, bem como 50 famílias de coodependentes. A administração pública salienta que o Centro de Atenção Psicossocial é, aliás, o seu maior mecanismo para a amenização desta realidade. Entre os trabalhos realizados junto aos usuários, estão palestras, cursos profissionalizantes, ajuda familiar, visitas domiciliares, aconselhamento, acompanhamento, internações, atendimentos individuais, trabalhos preventivos e intervenções junto à comunidade. Além do Caps, o município ainda atua por meio do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e outras repartições e órgãos não governamentais, como Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência), Polícia Militar (através do Sistema Orion), Polícia Civil, Albergue, Pousada Bom Samaritano, Pastoral da Solidariedade, Igrejas Evangélicas, leitos da saúde mental, entre outros.

Em Martinópolis, por sua vez, atualmente 22 pacientes dependentes do crack estão em tratamento. O Departamento de Comunicação do município ressalta que o serviço é de porta aberta, logo, o interessado se apresenta voluntariamente. Dentre os atendimentos prestados pelo Caps aos usuários estão os médicos, psicológicos e sociais; oficinas terapêuticas; cuidados de enfermagem; atividade física; abordagens; busca ativa; e parcerias com outros setores da rede socioassistencial, tais como Conselho Tutelar, Cras e Creas.

 

O resultado permite a socialização das informações e enfatiza a importância de promover políticas públicas a fim de conter esse cenário alarmante

Eduardo Stranz,

CONSULTOR DA CNM

 

Situação da droga:

Municípios

Nível dos problemas relacionados ao consumo de crack

Adamantina

Médio

Alfredo Marcondes

Médio

Álvares Machado

Alto

Anhumas

Médio

Caiabu

Médio

Caiuá

Médio

Dracena

Alto

Emilianópolis

Médio

Estrela do Norte

Baixo

Euclides da Cunha Paulista

Baixo

Flora Rica

Médio

Flórida Paulista

Médio

Iepê

Baixo

Indiana

Médio

Inúbia Paulista

Médio

Irapuru

Alto

Junqueirópolis

Médio

Lucélia

Médio

Marabá Paulista

Sem resposta

Mariápolis

Médio

Martinópolis

Alto

Mirante do Paranapanema

Médio

Monte Castelo

Médio

Nantes

Baixo

Narandiba

Sem resposta

Nova Guataporanga

Médio

Osvaldo Cruz

Alto

Ouro Verde

Sem resposta

Pacaembu

Alto

Panorama

Médio

Paulicéia

Médio

Piquerobi

Sem resposta

Pirapozinho

Médio

Pracinha

Médio

Presidente Bernardes

Baixo

Presidente Epitácio

Alto

Presidente Prudente

Médio

Presidente Venceslau

Alto

Rancharia

Médio

Regente Feijó

Médio

Ribeirão dos Índios

Sem resposta

Rosana

Médio

Sagres

Médio

Salmourão

Médio

Sandovalina

Sem resposta

Santa Mercedes

Médio

Santo Anastácio

Sem resposta

Santo Expedito

Baixo

São João do Pau D’Alho

Médio

Taciba

Sem resposta

Tarabai

Médio

Teodoro Sampaio

Alto

Tupi Paulista

Sem resposta

Fonte: Observatório do Crack

 

AI da Prefeitura de Dracena

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