Desvio da coluna

80% dos casos de escoliose têm causas desconhecidas

De acordo com médico ortopedista, maior propensão da doença ocorre em períodos de estirão, dos 8 aos 10 anos e no fim da puberdade

  • 14/02/2019 09:59
  • SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial

Segundo o médico ortopedista do HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo, em Presidente Prudente, Ricardo Bertão, todos os meses aproximadamente cinco pessoas visitam o consultório para verificar a possibilidade de escoliose. Embora frise que não são todos os casos que assim podem ser diagnosticados, as silhuetas desniveladas são um “forte indício” do problema. No entanto, 80% dos casos ainda possuem uma “razão desconhecida pela medicina”, ao passo que os outros 20% são resultados de questões traumáticas, neurológicas e funcionais com “discrepância dos membros inferiores”.  

Conforme o especialista, a doença pode ser definida como uma deformidade no eixo da coluna, que possui 24 vértebras – 12 torácicas, cinco lombares e sete cervicais. E, apesar de não ser uma regra, tem incidência mais comum durante os “períodos de estirão” que ocorrem dos 8 aos 10 anos e no fim da puberdade. Esse momento, segundo explica, é quando a criança ou adolescente cresce “muito rápido em um curto espaço de tempo” e a consequência pode ser um desnível possível de ser notado a partir de observação. Esta, inclusive, deve ser a primeira avaliação feita pelos profissionais na hora do diagnóstico.

De acordo com Ricardo, o exame visual vai se atentar a saliências ósseas desproporcionais, questões de postura e, após isso, um exame de raio-x confirma a existência ou não da escoliose. “Muita gente pensa que a postura não interfere, mas em período de estirão, isso pode condicionar a deformidade”, comenta.

Opções de tratamento

De antemão, o médico explica que a correção da coluna possui limites e esses devem ser respeitados para evitar o desenvolvimento de outros problemas no setor neurológico. Sendo assim, relata que a escoliose é separada por graus e cada grau possui uma forma diferente de tratamento. Em alguns níveis, por exemplo, uma “observação periódica de 3 em 3 meses resolve”, em outros, o paciente deve aderir ao colete. Medida que, conforme Ricardo, gera certa confusão entre as pessoas, por isso, acha “importante esclarecer” que o equipamento corrige o corpo e não a coluna. “A deformidade da coluna continua intacta”, diz.

Nos casos mais graves, a solução é o procedimento cirúrgico. De acordo com o ortopedista, a cirurgia, às vezes, consegue chegar próximo do alinhamento normal da coluna. “Mas todo o procedimento deve ser acompanhado por um neurologista para evitar problemas com a hipercorreção”, acentua. No mais, o médico avalia que o desnível, dependendo da proporção, não acarreta complicações para uma rotina comum.

Descobrindo a escoliose

Gislaine Cristina da Silva, 38 anos, é mãe de Ana Clara Silva Araújo que tem 14 anos e há oito meses foi diagnosticada com escoliose. De acordo com a mãe, a ocorrência foi resultado de uma má formação que foi observada por meio de mudanças no corpo, que apresentava “o lado direito um pouco mais alto que o outro”. Foi então que a prudentina decidiu levar a filha ao ortopedista e descobriu uma escoliose em grau grave.

Hoje, Ana utiliza um colete chamado “Milwaukee” 24 horas por dia e, segundo a mãe, no começo foi difícil, devido à idade e à vergonha de colocar o acessório. Entretanto, com conversa, a menina “acabou aceitando” e, embora, já tenha protagonizados episódios de bulliyng na escola, atualmente se “encontrou no teatro”. Com visitas a cada três meses ao ortopedista, Gislaine explica que a adaptação da família é “superboa” e agora incentiva Ana Clara a criar um blog para contar sua história. “Acho que se ela conhecesse outras meninas que estão passando pela mesma situação ajudaria muito na questão da autoestima”, comenta.