José Reis - Estudo revela ausência de plano financeiro à aposentadoria

Foto: José Reis - Estudo revela ausência de plano financeiro à aposentadoria

RESERVA FINANCEIRA

60% das pessoas deixam se preparar à aposentadoria

  • 29/03/2019 09:00
  • GABRIEL BUOSI E OSLAINE SILVA - Da Reportagem Local

Em pleno momento de discussão da reforma da Previdência, a reportagem de O Imparcial decidiu ir às ruas para saber como foi, está e é a preparação para este momento que, normalmente, contempla a terceira idade, e entender se os aposentados conseguem chegar nesta fase com uma reserva, para que momentos de lazer, por exemplo, sejam proporcionados e para que a vida seja levada com mais tranquilidade, ou se a realidade é composta por uma população que depende exclusivamente do pagamento em questão.

O cenário encontrado em Presidente Prudente não foi muito diferente de uma pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), em parceria com o Banco Central do Brasil, que aponta o fato de que seis em cada dez brasileiros (59%) admitem não se preparar para a hora de se aposentar, financeiramente falando, enquanto apenas 41% têm se preocupado com essa fase da vida.

O estudo revela que destes que não fazem plano financeiro para a aposentadoria, 36% alegam não sobrar dinheiro no orçamento e 18% atribuem à ausência de um plano ao fato de estarem desempregados, conforme o SPC Brasil. Para 17% não vale a pena guardar o pouco dinheiro que sobra no fim do mês. “Estima-se que a participação da população acima de 65 anos na sociedade brasileira passe dos atuais 9% para 25% em 2060, segundo projeções do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]. Será cada vez mais importante começar a pensar em uma complementação ainda jovem e não apenas quando se aproxima do momento de parar de trabalhar”, avaliou a economista-chefe da instituição, Marcela Kawauti.

A pesquisa também identificou, conforme a SPC Brasil, que os meios mais comuns de se preparar para a aposentadoria. São eles: aplicações financeiras (42%), principalmente a previdência privada (20%), e outros ativos financeiros, como ações, títulos ou fundos (20%). Para 35%, os recursos do INSS servirão de renda e 16% dizem que dependerão de terceiros, tais como cônjuges, filhos ou outras pessoas da família.

Cenário local

No calçadão de Presidente Prudente a reportagem encontrou o aposentado de 70 anos, Aparecido Cezário, que informou ter entrado com o pedido do benefício há sete anos. “Hoje eu vivo apenas desse dinheiro, pois não consegui levantar uma quantia ao longo da vida, já que não tinha condições de poupar”. Ele ressalta que atualmente consegue “sobreviver” com o que ganha e que orientaria para reserva ao longo da vida.

Em outro banco próximo estavam os amigos Arnaldo Oliveira, 68 anos, e Juscelino Santana, 57 anos. O primeiro deles afirma que está aposentado desde 2009, já que era metalúrgico, e afirmou que mesmo não tendo feito reservas para este momento, consegue não se preocupar atualmente, pois conta com os bens materiais “necessários para viver” e que não o dão mais “dor de cabeça”. “Vivo somente com esse pagamento da aposentadoria, mas que para mim está bom, pois não se resume ao salário mínimo. No entanto, aconselho que as pessoas guardem dinheiro, pois com menos de R$ 1 mil ninguém vive hoje”, informa.

Juscelino, por sua vez, afirma que ainda não conseguiu se aposentar, também por ter 15 anos de contribuição e talvez por causa da idade, e ressalta que o trabalho na roça e os serviços sem registros em carteira assinada foram importantes para um possível atraso na conquista do benefício. “Hoje sou servidor público e recolho corretamente. Todos deveriam ter uma reserva para uma vida de qualidade na terceira idade”, finaliza.

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