Sexta-Feira . 22 Fevereiro . 2019
Força-tarefa

4 bombeiros da região prestam auxílio em Brumadinho

Militares permanecerão na cidade mineira durante uma semana, para dar continuidade ao trabalho iniciado pelas equipes de resgate

José Reis - Militares partiram ontem da sede do 14º Grupamento do Corpo de Bombeiros José Reis - Militares partiram ontem da sede do 14º Grupamento do Corpo de Bombeiros

Quatro militares do 14º Grupamento de Bombeiros partiram ontem da sede do batalhão em Presidente Prudente rumo à capital paulista, onde se juntarão ao grupo de 20 bombeiros do Estado de São Paulo que prestarão auxílio na busca das vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho (MG). De acordo com o batalhão, os militares que se voluntariaram para a missão - sendo três deles de Prudente e um de Dracena - utilizarão os materiais necessários para o desempenho das missões que já estão na cidade mineira, que pertencem à força-tarefa do Corpo de Bombeiros do Estado. O retorno da equipe está agendado para ocorrer na próxima quarta-feira, quando outra leva de militares poderá ser encaminhada.

O critério para o voluntariado exigiu a capacitação em operações de salvamento terrestre, bem como o de buscas e resgates em estruturas colapsadas. Luis Alexandre Olivete, major da Polícia Militar e comandante interino do 14º Grupamento de Bombeiros, explica que a ordem surgiu do comando militar na capital paulista, que se predispôs a participar da missão humanitária. “Todas as unidades dos bombeiros foram orientadas a convocar militares para atuarem no resgate. Desta forma, organizaram-se equipes, de modo que o efetivo de cada grupamento não ficasse prejudicado”, salienta Olivete. Outros 13 militares da região poderão ser enviados nas próximas semanas.

O trabalho que a guarnição encontrará em Brumadinho não será uma tarefa muito fácil, diferente daquelas a que os militares atendem. Logo nos primeiros dias após o rompimento da barragem, aproximadamente 130 militares israelense vieram ao Brasil e contribuíram nas buscas utilizando aparelhos tecnológicos, a fim de aumentar as chances de encontrar novos sobreviventes. De acordo com o major Olivete, o contato com as novas tecnologias e formas de comando “serão empenhados de forma a multiplicar o conhecimento a todo o efetivo do batalhão”.

“Está no sangue”

Além da missão de levar ajuda e conforto aos familiares dos desaparecidos, a troca de experiência considerada pelo major é uma das expectativas do 1º sargento Alex Sandro Ramos. Em entrevista a este diário, o morador de Dracena deixou a esposa grávida de 6 meses a aproximadamente 942 km, para prestar auxílio em Minas Gerais. “Meu pai foi bombeiro durante muitos anos e eu praticamente cresci dentro de quartel militar. Em 2000, ano em que ele se aposentou, ingressei na corporação onde permaneço há 19 anos, levando alento às pessoas e trabalhando nos combates”, afirma o sargento.

Quem também seguiu os conselhos do pai foi o soldado Marcelo Gonçalves Afonso. No Grupamento de Bombeiros há 8 anos, viu o pai trabalhar em diversos acontecimentos da região, o que o motivou a dar um passo maior em sua carreira. “O anseio e o amor pela profissão estão no sangue. Quando dei a notícia da minha colaboração à minha família, todos me apoiaram, especialmente meu pai”, relata o soldado.

“Estamos saindo do nosso conforto para ir a um lugar onde só tem coisas ruins, famílias devastadas e muitas pessoas ainda desaparecidas. O sofrimento naquele lugar é enorme”, lamenta o cabo Alexandre Dario Gibin, que atua há 22 anos no grupamento. Com uma Bíblia na bagagem, acredita que o maior prazer da missão de ir ao local é o de salvar vidas. “Fui policial militar durante 10 anos, e senti a necessidade de fazer o curso de resgate. Foi aí que vim parar no Corpo de Bombeiros”. “Comecei ajudando ao próximo e vou finalizar a minha carreira da mesma forma”, comenta Gibin.

O até breve

Em meio aos homens fardados, uma mulher com um bebê no colo chamava a atenção de quem acompanhava a partida dos militares. Com os olhos marejados pelo “até breve” do marido, Dayane Macedo Lomas D’Imberio e o filho Miguel, de 1 ano e 7 meses, fizeram questão de acompanhar os últimos minutos do cabo Rodrigo de Barros D’Imberio, antes da viagem. Há 16 anos prestando serviço à comunidade, ele acredita que tem a mesma personalidade que a do genitor, também incentivador da missão de salvar vidas. “A ansiedade em enfrentar o cenário de Minas Gerais está forte, e estou preparado para lidar com a tragédia e levar auxílio aos moradores de Brumadinho”. E, na despedida, o militar conteve a emoção ao ouvir o pequeno Miguel chamando por ele enquanto a viatura se deslocava do batalhão.

SAIBA MAIS

Partiram ontem para a missão em Brumadinho: 1º sargento Alex Sandro Ramos (Posto de Bombeiros de Dracena); além do cabo PM Rodrigo de Barros D’Imberio, cabo PM Alexandre Dario Gibin e soldado PM Marcelo Gonçalves Afonso, os três do Posto de Bombeiros de Prudente.