EMPREENDEDORISMO

15 detentas participam de curso em Tupi Paulista

Sentenciadas do regime semiaberto receberam orientações para a confecção de doces, e puderam participar de palestra motivacional de inserção no mercado de trabalho

08/03/2019 05:06 • ROBERTO KAWASAKI - Da Redação
AI da Croeste - Aulas de empreendedorismo ocorreram na unidade prisional AI da Croeste - Aulas de empreendedorismo ocorreram na unidade prisional

A reintegração social é a dificuldade encontrada por muitas detentas ao receberem liberdade depois de passado algum tempo em cárcere no sistema prisional. No mês em que a valorização da mulher é lembrada internacionalmente, 15 sentenciadas da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista puderam enxergar a oportunidade de fazer com que a realidade seja diferente, e que um novo futuro seja traçado por meio do empreendedorismo. Na semana passada, conforme a Croeste (Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Oeste), as mulheres participaram do projeto “Bombons dos Sonhos! Qualidade e Amor”, que visa a qualificação.

As participantes que cumprem pena na ala de regime semiaberto da unidade prisional receberam orientações para confeccionar e vender bombons. O curso ocorreu nas instalações da padaria artesanal do presídio e foi ministrado pela estudante de psicologia Vanessa Maria Ferrari Reverte. Em um período de seis horas, cada aluna recebeu forminhas, orientações e receitas para confeccionar os doces. E, no intervalo de espera do esfriamento do recheio dos bombons, foram envolvidas numa palestra motivacional, com roda de conversa, dinâmica e interação, visando conscientizar sobre a capacidade e competência de cada uma delas para trabalhos como este quando deixarem de cumprir a pena.

Além das dicas para a recolocação no mercado de trabalho, com teoria e prática, as alunas também puderam degustar das próprias produções, e aprenderam sobre economia financeira e de material, pesquisa de preços, economia de água e reciclagem de embalagens. “A participação no projeto atribui aspectos de responsabilidade diante de cada ato do ser humano. Também faz elas entenderem que podem recomeçar e que não estão desacreditadas, assim como podem ir em busca de projetos futuros e diminuir o prognóstico de retornar a reincidir”, explica Adriana Alckmin Pereira Domingues, diretora geral da penitenciária.

Construção social

O retorno ao cometimento de delitos é a preocupação que surge após o cumprimento da pena e, conforme a Adriana, projetos socializadores, como o apresentado nesta semana, “devem estar sempre sendo elaborados no intuito de colaborar para uma construção social e humana”. “É um trabalho árduo e minucioso, com efeitos em médio e longo prazo, mas a persistência e determinação fazem da SAP [Secretaria da Administração Penitenciária] um modelo e um caminho para uma sociedade menos preconceituosa, equilibrada e igual”, salienta a diretora geral. Desta forma, acredita que o cumprimento de pena será um período não apenas de punição, mas de construção.