José Reis - Procura pelo produto no início do mês movimenta lojas especializadas em Prudente

Foto: José Reis - Procura pelo produto no início do mês movimenta lojas especializadas em Prudente

REBANHO REGIONAL

1,7 milhão de cabeças de gado devem ser vacinadas até dia 31

  • 07/05/2019 09:00
  • GABRIEL BUOSI - Da Redação

Até o dia 31 de maio, 1.742.297 bovídeos (bovinos e bubalinos) devem ser vacinados na região oeste do Estado na primeira etapa da campanha contra a febre aftosa. Os dados são da Coordenadoria de Defesa Agropecuária e representam uma estimativa dos três EDRs (Escritórios de Desenvolvimento Rural): Dracena, Presidente Prudente e Presidente Venceslau. A novidade para este ano é que a vacina teve a dose reduzida de cinco para dois mililitros, o que promete trazer resultados favoráveis ao bem-estar dos animais. Em Presidente Prudente, a procura pelo produto já movimenta as casas especializadas no setor. Após esta fase, o proprietário tem até o dia 7 de junho para comunicar a vacinação.

Conforme a Coordenadoria de Defesa Agropecuária, nos municípios compreendidos no EDR de Dracena, conforme a estimativa, serão 298.674 bovídeos vacinados, além de 693.333 no de Presidente Prudente e 750.290 bovinos e bubalinos de todas as idades em Venceslau, a maior quantidade das três. Já sobre a mudança nas doses, a coordenadoria afirma que um dos principais objetivos na alteração da vacina é o de menor volume de óleo mineral, que causará consequente redução de reações alérgicas nos animais.

“Outra medida relevante foi a retirada do sorotipo C. Estudo do Panaftosa [Centro Pan-Americano de Febre Aftosa] que concluiu pela inexistência do vírus da febre aftosa tipo C na América do Sul foi determinante para a recomendação da Cosalfa [Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa] em suspender a vacinação com esse sorotipo na região”. O estudo revela que o último foco de febre aftosa com o sorotipo C nas Américas tem data de 2004.

Vale destacar que a vacinação é obrigatória, já que, conforme a coordenadoria, deixar de fazê-la e de comunicá-la sujeita o criador a multas de cinco Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), com soma de R$ 132,65 por cabeça, e três Ufesps, R$ 79,59, por cabeça que não for comunicada. O valor de cada Unidade Fiscal do Estado de São Paulo é R$ 26,53.

Procura por doses

O funcionário da Camda Cooperativa Agropecuário, Gabriel Paulo de Souza, afirma que, desde o primeiro dia do mês, quando teve início a venda, a movimentação no estabelecimento foi boa, de forma que a expectativa para o período todo é de “vendas significativas”. “Muitos querem estar em dia, então procuram ainda no início, por isso, é minoria aqueles que deixam para nos procurar nas últimas semanas”. Sobre a redução na dose aplicada, ele afirma ver como positivo até mesmo para que haja menor número de reações nos animais, e lembra que na loja a estimativa é vender algo em torno de 90 mil doses, meta alcançada no ano passado.

Na Raça Forte, também de Presidente Prudente, o proprietário Leandro Bezerra de Menezes esclarece que todos os dias a procura é “além do normal”, e afirma que a expectativa, da mesma forma, é boa para a campanha de 2019. “É sempre comum que a maioria não deixe para a última hora, pois eles sabem que podem ter problemas com o pagamento de multas, mas também em relação à comercialização. Ainda não temos uma estimativa de venda”.

Indicações à vacinação

A primeira providência é adquirir as vacinas em estabelecimentos cadastrados junto à Coordenadoria de Defesa Agropecuária. A vacina, que nunca pode ser congelada, deve ser mantida entre 2ºC e 8ºC, tanto no transporte como no armazenamento, usando uma caixa de isopor, com dois terços de seu volume em gelo para que a vacina não perca sua eficácia. Para realizar a vacinação, deve ser escolhido o horário mais fresco do dia, classificando os animais por idade e sexo, para evitar acidentes.

“Usar seringas e agulhas novas e higienizadas, sem o uso de produtos químicos. O local da aplicação é no terço médio do pescoço por via subcutânea - abaixo do couro. Independente da idade, a dose é de dois mililitros. As agulhas devem ser substituídas com frequência - a cada 10 animais, para evitar infecções e os frascos devem ser mantidos resfriados durante a operação”, explica a coordenadoria.

Saiba mais

As vacinas contra a febre aftosa são produzidas no Brasil e testadas pelos Lanagros (Laboratórios Nacionais Agropecuários), que são os laboratórios oficiais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Antes e durante a campanha de vacinação, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária realiza em todo o Estado a vigilância no mercado para garantir a eficiência das vacinas colocadas no comércio, conferindo o armazenamento, atento à temperatura.