Divulgação/Renato Aoki/Além do Kiai

Foto: Divulgação/Renato Aoki/Além do Kiai

ENTREVISTA

“Ver a bandeira do meu país no lugar mais alto é indescritível”

Valéria Kumizaki - CARATECA

  • 16/08/2019 07:11
  • OSLAINE SILVA - Da Redação

Uma das grandes emoções no esporte, de modo geral, é ver a evolução, o crescimento e a demonstração de dedicação e competência das mulheres. E, mais uma vez, a atleta prudentina, Valéria Kumizaki, enche a nação brasileira de orgulho trazendo para o seu país mais uma medalha de ouro! Esta é a quarta medalha consecutiva da carateca em Jogos Pan-Americanos! Ela foi prata no Rio (2007), bronze em Guadalajara (2011) e ouro em Toronto (2015). Na final, ela que luta na categoria feminina – 55 kg, enfrentou a canadense Kathryn Campbell, vencendo a adversária por 4 a 1. Na próxima semana, a atleta - que é patrocinada pelo Exército brasileiro, Unimed Presidente Prudente, Ajinomoto do Brasil, Botica Nativa e Bolsa pódio - já embarca para Tóquio, no Japão, onde disputará mais uma etapa do Circuito Mundial, nos dias 6, 7 e 8 de setembro.

O Imparcial - O que esta 4ª medalha em Pans significa, Valéria? Suas lágrimas no pódio...

Representam 19 anos de muita dedicação e de muitas dificuldades até chegar aqui. Passa um filme na cabeça de tudo que passei!

Como “bateu” a sua oponente? Qual foi o golpe fatal?

Eu não bato, eu marco ponto. Não tem golpe fatal. Qualquer pessoa que estiver na minha frente, no tatame, terei que marcar ponto. Este é o principal objetivo: marcar ponto e não deixar ela me acertar.

Esse ouro te leva direto para Tóquio? Qual a sua expectativa para as Olimpíadas?

Não, ele me dá uma possibilidade, porque temos três vagas para o continente americano, mas depende também de quem estiver melhor ranqueado em suas respectivas categorias. Com essa medalha de outro, brigo com o ranking do pessoal da América.

É arrepiante! Explique o que significa o ato da continência em cima do pódio.

A continência para mim é uma honra, ser das Forças Armadas é um grande orgulho que tenho! Então poder cantar o Hino Nacional e ver a bandeira do meu país no lugar mais alto é indescritível!

Quem são seus atuais patrocinadores?

O Exército brasileiro, Unimed Presidente Prudente, Ajinomoto do Brasil, Botica Nativa e Bolsa pódio. O comitê Olímpico do Brasil arca, hoje, com todas as despesas para as competições.

Quais as maiores dificuldades vividas por atletas brasileiros, especialmente os que moram no interior?

A minha dificuldade era financeira. Eu sabia que para melhorar e ser uma das melhores do mundo eu teria que estar entre as melhores do mundo. As competições sempre foram na Europa e Ásia e ter que arcar com passagem, hospedagem, inscrição e alimentação era um gasto muito grande. E eu tinha que ir para me manter no ranking mundial, então fiz muitas dívidas, mas agora graças a Deus paguei tudo o que devia e tenho patrocinadores para me ajudar.

Como e quando foi que o caratê entrou em sua vida? O que essa arte marcial milenar significa em sua vida?

Comecei em 2000. Foi tudo sem querer e deu certo. Eu respiro caratê e tudo o que tenho venho dele. Agradeço só meu professor Renato Franco por todo ensinamento e por todo incentivo. Ele me disse que eu poderia chegar onde eu quisesse se eu me dedicasse, e é isso que eu faço até hoje.

Como são seus treinos?

Treino duas vezes ao dia de segunda-feira a sábado.

Como foi sua experiência em treinar com as iranianas, no ano passado?

Eu já treinei com metade desse mundo, sempre investi em treinar com os melhores do mundo. Lá tem muita atleta boa então resolvi ir para lá pela segunda vez. O povo iraniano é muito prestativo e adora os brasileiros.

Me fale um pouquinho sobre quem é a menina Valéria. Família, formação, lazer...

Sou formada em Educação Física, sou muito religiosa [católica praticante], gosto de estar com a minha família, com o meu sobrinho e minhas sobrinhas. Nas horas vagas, gosto de assistir TV, minha comida favorita é arroz. Não gosto de fofoca e adoro viajar.