Jean Ramalho - “Não ganhei nada financeiramente com o esporte, mas um bom nome sim"

Foto: Jean Ramalho - “Não ganhei nada financeiramente com o esporte, mas um bom nome sim"

ENTREVISTA

“Tem tudo para dar certo, porque o básico do futebol é ter uma boa gestão”

Marcelo Guimarães - coordenador técnico do Grêmio Prudente

  • 16/01/2020 09:17
  • OSLAINE SILVA - Da Redação

O professor de educação física, Marcelo Guimarães, é o novo coordenador técnico do Grêmio Prudente. Ele, que fez sua última atuação no futebol prudentino em 2017, quando treinou o PPFC (Presidente Prudente Futebol Clube), está de volta. “Não ganhei nada financeiramente com o esporte, mas um bom nome sim. Independente de ter ganhado ou perdido dentro de campo, a demonstração de apoio e satisfação por este meu retorno me mostra que eu tenho um legado. Isso é muito bom!”.

Após quase três anos, você está de volta ao futebol prudentino. Desta vez, no Grêmio Prudente, como coordenador do time?

Eles me chamaram para uma conversa bacana no final de 2019. Na verdade eu sou treinador, mas como estou afastado há algum tempo e eles queriam contar comigo no projeto, fiquei muito feliz e aceitei. A priori, minha função é de coordenador técnico, vou ajudar os treinadores da base e fazer parte da comissão técnica do time profissional, como se fosse um funcionário do clube mesmo. Coordenar a parte técnica, nada a ver com pagamentos de salário ou patrocínios, até porque não entendo nada disso. Mas, sim do que entendo, estratégia, tática...

Você é o terceiro reforço do time para a temporada, o primeiro fora de campo. Os outros dois foram o atacante Alisson e o volante Miguel Neto para o time profissional. Tem outros nomes em negociação para a temporada?

Estou chegando agora, e quem está com os nomes de contratação é a diretoria. Sei que já têm vários, mas especificamente não sei dizer quem são. Quanto ao Alisson e ao Neto, já trabalhei com os dois. O primeiro clube federado que o Alisson passou foi exatamente comigo, em 2012. Estou ansioso para trabalharmos juntos novamente. E o Neto, trabalhamos quando eu estava como treinador do sub-15 e sub-17 na base do Grêmio, em 2014. São dois jogadores muito bons!

O Grêmio conseguiu algum espaço para os treinamentos? Onde e quando estão treinando?

Estamos por enquanto com o sub-11 e o sub-13 fazendo os treinamentos no Estádio Municipal Caetano Peretti e no Rio 400. Inclusive, agora eles estão indo disputar uma Copa Mercosul em Rancharia, onde já vamos começar a desenvolver os trabalhos de observação da base.

O que você diria do êxito deste retorno do Grêmio?

Acho que tudo começa desde a diretoria, onde temos o André Luis Garcia, que é um gestor muito bem sucedido, que podemos ver pela marca dele que é forte nacionalmente. Ou seja, é um cara do ramo. Depois temos o João Paulo Tardim, que é vice-presidente do Mirassol, e o Paulo Tomasete, o Paulinho, que está em um clube em Portugal. Pessoas que sabem gerir o futebol. Vemos com bons olhos a contratação de professores formados em Educação Física, alguns com cursos voltados para o futebol. Pessoas do ramo, de boa índole, que gostam do que fazem e respeitam a história do futebol prudentino. Tem tudo para dar certo, porque o básico do futebol é ter uma boa gestão, fazer uma política pé no chão sem prometer nada impossível.

O que os torcedores podem esperar do novo Grêmio Prudente?

Uma coisa que pode deixar o torcedor feliz, que talvez não seja em curto prazo, mas de médio a longo, é apostar na categoria de base, que no mínimo leva de dois a três anos. Tivemos em 2010, comigo no Barueri, em 2012, um time muito bom, que foi semifinalista do Paulista. E, infelizmente não deu continuidade. Não tínhamos o sub-20 na época. Então, como pode o jogador passar pelo sub-15, sub-17 e não ter o sub-20? Mas, agora, se Deus quiser, vai ser tudo encaixadinho. Demora um pouquinho. Bons jogadores têm muitos. Podemos ver aí na Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, vários meninos da cidade e região jogando para outros municípios. Então, temos que saber captar esses talentos. Privilegiaremos atletas que sejam bons de futebol e que se identifiquem com a região. Eu, por exemplo, não sou daqui [sou de Piracicaba] e me identifiquei com o lugar. Tentaremos priorizar os vários atletas daqui, pois veja bem, como acabamos de citar: bons jogadores que poderiam estar aqui conosco, se já tivéssemos um time na Série A3, A2, por exemplo, estão longe de casa. Pedimos paciência e que venham prestigiar o profissional que logo de cara tentaremos chegar bem firme. Não dá para prometer acesso, porque no futebol prometer é chover no molhado, a não ser trabalho aberto, transparente, honesto, com pessoas especialistas no que fazem. Isso sim.

Você é um apaixonado pelo futebol, pelo pouco que sei. Pode narrar um pouquinho da sua trajetória neste esporte? Quando e como adentrou nele?

Eu sou um jogador frustrado, acho que como a maioria dos brasileiros [risos]. Jogava futebol amador, sempre quis estar nesse meio, tanto que cursei Educação Física, em Rio Claro, na Unesp [Universidade  Estadual Paulista], com este intuito. Lá eu já comecei a trabalhar no Velo Clube, que era o time da cidade, fiz estágio no São João de Araras, que na época estava disputando o Campeonato Paulista na Primeira Divisão. E a partir daí, comecei a fazer cursos, estágios, trabalhar em escolinhas e fui crescendo. Do Velo vim para Prudente, onde meus pais já estavam morando e os irmãos Juliano e Adriano Gerlin me contrataram para o Opec [Oeste Paulista Esporte Clube], que na verdade é o antigo Grêmio Prudente, ou seja, é mais um retorno meu ao time [risos].

O que esta modalidade significa para você?

Embora em poucos clubes, eu já rodei em várias funções. Eu sou um apaixonado pelo futebol! Só de estar aqui [no Estádio Municipal Paulo Constantino, Prudentão], mesmo vazio, me emociono lembrando dos bons e maus momentos. Às vezes, venho e fico namorando, olhando cada cantinho dele! Pra gente que gosta, ficar longe do futebol é muito triste. Estou muito feliz em voltar. Por enquanto, o que tenho em questão de bens é por conta das minhas aulas [Educação Física, na Unoeste – Universidade do Oeste Paulista]. Não ganhei nada financeiramente com o esporte, mas um bom nome sim! Independente de ter ganhado ou perdido dentro de campo, a demonstração de apoio e satisfação por este meu retorno, nas ruas, nas redes sociais, me mostram que eu tenho um legado. Isso é muito bom!

PERFIL

Nome: Marcelo Guimarães

Idade: 39 anos

Formação: Educação Física – Unesp

Atividade profissional: professor universitário e coordenador técnico de futebol

Onde nasceu: Piracicaba

Esposa: Elaine

Filhos: Bernardo – 1 ano e 2 meses

E-mail: marcelof@unoeste.br