Diogo Ribeiro/Cedida - Chuva intensa na tarde de ontem voltou a alagar o Parque do Povo, provocando prejuízos

Foto: Diogo Ribeiro/Cedida - Chuva intensa na tarde de ontem voltou a alagar o Parque do Povo, provocando prejuízos

TRANSTORNOS

Sem aporte financeiro, Parque do Povo continua a alagar

O problema, que não é novo, requer soluções que já estão planejadas, mas que dependem de investimentos ainda não garantidos e sem data para chegar

  • 14/01/2020 04:02
  • GABRIEL BUOSI e ROBERTO KAWASAKI - Da Reportagem Local

A região do Parque do Povo, em Presidente Prudente, mais uma vez alagou e trouxe aquela sensação de insegurança para motoristas e pedestres que por lá passaram no fim da tarde de ontem, assim como ocorreu no fim da tarde de domingo. Diversos foram os relatos de pessoas que precisaram parar o carro em determinado ponto da via na tentativa de fugir dos rios que se formaram pelo local, ou então daquelas que buscaram abrigo em pontos comerciais enquanto a correnteza passava. O problema, que não é novo, requer soluções que já estão planejadas, mas que dependem de investimentos ainda não garantidos e sem data para chegar.

A reportagem conversou ontem pessoalmente com Douglas Kato Pauluzi (PTB), vice-prefeito que está à frente do Poder Executivo enquanto Nelson Roberto Bugalho (PSDB) está de férias. Ele atribuiu os problemas com alagamentos ao mau planejamento ao longo dos mais de 100 anos de cidade. “Quando fizeram o fechamento do Córrego do Veado, por exemplo, não se pensou que poderia ocorrer esse tipo de situação. E é impossível que não ocorram os alagamentos, visto que a população tem impermeabilizado o solo cada vez mais”. Além disso, ele lembra que outros fatores, como o ato de jogar lixo em bueiros, são determinantes quando este é o assunto.

Sobre as soluções, a Sosp (Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos) lembra que há uma necessidade de promoção da macrodrenagem do Córrego do Veado, com abertura de novas galerias e ampliação da vazão nas já existentes, além de refazer a ponte na altura do Walmart. “Tais obras requerem investimentos muito altos e o município, sozinho, não tem condições de suportá-los, sendo necessário o apoio de outras esferas de governo ou de empréstimos bancários por parte de instituições internacionais”.

O aporte financeiro diz respeito ao Fonplata (Fundo para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) – que seria destinado a obras de infraestrutura urbana, macrodrenagem, acessibilidade e inovação tecnológica, com valor em torno de R$ 170 milhões, sendo R$ 30 milhões só para a obra do Parque do Povo - , mas os planos ainda não saíram do papel, visto que as tratativas com o fundo não foram finalizadas. “É um projeto que não se viabilizou por diversos fatores, como as aprovações burocráticas, mas também da situação em que o país vive. Não temos como dar uma data para que isso seja resolvido”, aponta Douglas Kato.

BAEP RESGATA HOMEM

DURANTE ALAGAMENTO

No domingo, durante o alagamento que tomou conta do Parque do Povo, um motociclista foi resgatado por três pessoas nas proximidades da Avenida da Saudade. Entre eles estavam dois militares: o capitão Ives Minosso de Almeida Ramos, e o capitão Bruno Piva de Castro, ambos do efetivo do 8º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). Minosso explica que estava em uma lanchonete, quando observou que o motociclista era puxado para dentro da captação de água. O capitão, que está de férias, saiu com o colega para ajudar no resgate. Segundo ele, a água estava na altura do peito. Apesar do susto, houve apenas danos materiais.