Thiago Morello - Jair tem doutorado em Fisiologia Humana pela USP, é mestre em Nutrição pela Unesp e atua há 19 anos como professor na Unoeste

Foto: Thiago Morello - Jair tem doutorado em Fisiologia Humana pela USP, é mestre em Nutrição pela Unesp e atua há 19 anos como professor na Unoeste

ENTREVISTA

“Segredo para a longevidade é dividido em 3 passos: estar fisicamente ativo, cuidar da alimentação e evitar estresse”

Jair Rodrigues Garcia Júnior - DOUTOR EM FISIOLOGIA HUMANA

  • 30/08/2019 09:42
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Ele tem doutorado em Fisiologia Humana pela USP (Universidade de São Paulo), é mestre em Nutrição pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e atua há 19 anos como professor na Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), além de ser palestrante corporativo sobre saúde e longevidade, que, aliás, hoje é tema central dos estudos do profissional Jair Rodrigues Garcia Júnior. Com base em todo esse conhecimento, ele resume que, inicialmente, os três passos iniciais que proporcionam a longevidade são: estar fisicamente ativo, cuidar da alimentação e evitar o estresse. Seguindo isso, garante que poderemos ter uma qualidade de vida melhor e estender os anos de vida. Confira na íntegra, a entrevista.

O Imparcial: O que estuda a fisiologia humana?

A fisiologia humana é muito ampla, pensando no conhecimento do corpo e no funcionamento adequado do organismo. E quando você agrupa com a nutrição, você estabelece relação e consegue entender o que o corpo humano realmente precisa, e o efeito no corpo humano. A fisiologia também analisa as reações mediante a prática esportiva.

Como você decidiu optar por essa carreira?

Desde a adolescência, eu tinha interesse em saber o que acontecia com o corpo humano, e tinha afinidade também, pela prática de esportes. Daí eu comecei a estudar, decidi fazer Educação Física e depois pós-graduação para aprofundar os estudos, relacionando o que estava ligado com a saúde. Alguns aspectos específicos despertaram meu interesse, como por exemplo, a adaptação do corpo quando se faz exercício físico e, mais recentemente, o estudo da longevidade.

Quais as principais preocupações em relação aos cuidados e adaptação do corpo humano?

Nas décadas seguintes, é bem provável que aconteça um colapso de doenças, principalmente de idosos. Em 30 anos, 30% da população aqui no Brasil será idosa. O que significa isso? Se todo idoso tiver uma doença, que geralmente tem duas ou mais, o sistema público não vai conseguir atender à demanda. Por isso, nós temos que pensar, já a partir dos 20 anos, como uma espécie de poupança de saúde. Isso vai determinar o quanto você vai viver, e em quais condições viverá as últimas décadas de sua vida.

E qual a importância de conhecer o próprio corpo e separar estética de saúde?

É preciso conhecer o corpo. É preciso também obter informações confiáveis, pois hoje temos muita gente falando de corpo, alimentação e medicamentos, sem saber muito. Até alguns profissionais estão nesse sentido de estética, prescrevendo algumas coisas que vão fazer mal. Se não fizer mal de imediato, faz em longo prazo. É o que acontece bastante com atletas que usam anabolizantes, por exemplo. É a estética ou o desempenho colidindo com a saúde. E hoje é difícil alguém que não saiba dessas possibilidades de prejuízos. Existe informação.

Há uma preocupação maior com a estética por parte de algum grupo?

Os mais jovens se preocupam mais com a estética. Mas a partir dos 40, 45 anos, começam a pensar mais em saúde. Até há estudos que demonstram que o consumo de suplementos nutricionais é diferente entre os jovens e os adultos de meia idade.

As diferentes formas de praticar esporte podem causar danos e efeitos distintos ao corpo?

Sim. Em termos de saúde, existia um conceito na década de 70 que correr e caminhar era bom para o coração. E realmente é, pois passadas cinco décadas, não contestam os benefícios. Então, a corrida é bom, natação é bom, dança é bom, o ciclismo, enfim, são atividades semelhantes à corrida. Mas hoje, se você for ver as pesquisas atuais, há uma mudança nessas cinco décadas de estudo, falando que a corrida não basta. Você precisa exercitar o resto do corpo também. E pra isso você faz exercícios localizados, que é a musculação. Todas as atividades têm uma vantagem. Quanto mais você mexer o corpo, melhor. Agora tem alguns exercícios, por exemplo, a musculação com a corrida ou outro aeróbico, treinamento funcional, o crossfit, que trabalham várias capacidades. Antigamente relacionava-se saúde com o que? Com a aptidão cardiorrespiratória; com sua composição corporal, ter músculo e não ter muita gordura; a sua flexibilidade e a resistência muscular localizada. Mas hoje a saúde está associada também com força, potência, agilidade, coordenação, equilíbrio e precisão.

No que tange à preocupação com doenças, ao se alimentar mal, quais são as principais?

O sobrepeso e a obesidade que atingem hoje, no Brasil, em torno de 52% dos adultos. Ou seja, um pouco mais da metade da população está acima do peso saudável. Desse número, 18% são de obesos. De crianças e adolescente, entre 6 e 14 anos, o sobrepeso chega a 30%. Menor, mais ainda preocupante. E a obesidade leva a outras doenças, como diabetes, colesterol alto, hipertensão e outras. Uma vez com elas, isso vai abreviar a vida da pessoa. E isso também fica atrelado às doenças mentais, que vem pela pressão estética. A pessoa com sobrepeso e obesa tende a se isolar e trocar o convívio social. São situações que vão agravar os sintomas de ansiedade e depressão.

Por fim, já que faz parte do seu estudo, qual a receita da longevidade?

São três os principais pontos: o primeiro é ser fisicamente ativo, para controlar melhor o peso corporal e diminuir os fatores de riscos para o sobrepeso e doenças. Em seguida, a alimentação: comer o que precisa ou até um pouco menos, conforme demonstram alguns estudos sobre restrição calórica e saúde. Mas estamos falando em termos de energia, não em quantidades de vitaminas, minerais e fibras. O que significa isso? Diminuir moderadamente os carboidratos (arroz e açúcar, por exemplo), bem como as gorduras dos alimentos de origem animal. Com isso, você vai emagrecer para o resto da vida? Não, o corpo vai se adaptando. O metabolismo vai se adequando e isso lhe proporcionará melhor saúde. E terceiro: evitar o estresse. Ver as coisas com bons olhos e não pelo lado negativo. Tem um livro, “O Jeito Harvard de ser Feliz”, que fala muito disso. Não importa o momento difícil que você está passando, tente manter-se positivo para se sair bem e ainda aprender com essa experiência.