Marcio Oliveira: Patrícia afirma que procura por livros novos cresceu até 25%

Foto: Marcio Oliveira: Patrícia afirma que procura por livros novos cresceu até 25%

Aquecimento literário

Sebos, livrarias cristãs e feiras fomentam venda de livros

E a pergunta é: quem foi que disse que os impressos morreram? Não, eles estão vivos! Apenas a forma de comercialização é que mudou de certo modo

  • 24/03/2019 10:00
  • OSLAINE SILVA - Da Redação

Quem foi que disse que os livros impressos morreram? Não, eles estão vivos! Apenas a forma de comercialização é que mudou de certo modo. Por exemplo, além da tradição de vender relíquias literárias, com o fechamento de muitas livrarias que foram praticamente extintas, feiras literárias, sebos e livrarias cristãs ganharam mais espaço, com destaque pela procura por livros novos.

Patrícia Tieko Hashinoto, 33 anos, proprietária do Graúna, um dos sebos de Presidente Prudente, ressalta que em seu estabelecimento o aumento foi de até 25%. Segundo a empresária, que tem seu estabelecimento em funcionamento desde 2009, ela atende por encomenda um número grande de bibliotecas, escolas da região, da alta paulista e até de outros Estados do país, como os vizinhos Mato Grosso do Sul (MS) e Paraná (PR). Além das vendas feitas pelo site.

“O que mudou foi a questão presencial. Diminuiu. Hoje, até quem mora na mesma cidade faz o seu pedido via whatsapp, por exemplo, e vem apenas buscar. Estou montando um e-commerce, vamos ver o que vai dar [risos]. Acredito que o fechamento de tantas livrarias não está relacionado a falta de público leitor, mas à facilidade, praticidade que as plataformas digitais oferecem atualmente”, expõe a empresária. 

A Emmerick, atuante na cidade desde 2001, é uma livraria de essência cristã, mas que também atua com segmentação dos livros mais vendidos tanto em parte de negócios, ficção, não-ficção, infanto-juvenil, lista dos gerais (Luccas Neto, Mário Sérgio Cortella, Luiz Felipe Pondé, padre Fábio de Melo-cristã-católico)

“Estamos em expansão, na contramão quando o assunto é ‘fechando as portas’. No momento, trabalhamos em três endereços físicos em Prudente, no centro da cidade, na Rui Barbosa, Prudenshopping e Parque Shopping Prudente com dois quiosques. Expandindo com lojas físicas em formato de quiosques, em julho chegaremos à região de Campinas, aonde o objetivo é abrir ali uma rede com 50 quiosques num prazo de cinco anos”, revela o proprietário Eduardo Luiz Emmerick Junior, 44 anos.

E tem mais novidades! Segundo o empresário, uma inovação muito legal está chegando: comunicar a loja física com a online. Comunicar o mundo off-line com o online. “Estaremos transformando nossos quiosques e a loja do centro em uma loja digital onde o cliente terá a experiência de compra online em um mundo físico. Terá um tablet ou um totem onde ele acessará o nosso site, conseguirá fazer pedidos de forma totalmente intuitiva com auxílio dos funcionários. Acreditamos ser a tendência. Então a ideia é que nessa pegada digital nossos clientes tenham uma experiência digital em uma loja física”, pontua Eduardo.

Livro marca!

Eduardo comenta que gostou muito de uma declaração do presidente da ANL (Associação Nacional das Livrarias) Bernardo Gurbanov, que diz: “o livro como produto não está em crise, o que está em crise é o formato de algumas empresas”. Para Eduardo, os livros impressos jamais sairão do foco do cliente. Embora exista o online, se pensar em presentes, por exemplo, o livro físico tangibiliza muito mais do que se comprar um e-book. “Ele marca realmente a lembrança significativa de alguém. E por isso estamos em plena expansão, temos nosso e-commerce que está ligado com todas as smart places do Brasil, Walmart, B2W, Buscapé, entre outras”, acentua.

O empresário explica que geralmente, quem busca um livro cristão, de autoajuda, crescimento espiritual, vida cristã, teologia, Bíblias de estudos, são os evangélicos, tanto pentecostais quanto de linha reformada. O conteúdo destas obras está sempre focado no crescimento espiritual, teológico e devocional para a família. “Autores como Max Lucado que é o campeão de publicações no mundo, em termos de literatura cristã. Livros teológicos John Piper, John McCarthy, Lewis Sperry Chafer. Entre as escritoras que agradam mais o público feminino estão: Sheila Walsh, Stormie Omartian. E os devocionais, com leituras diárias desde 1º de janeiro a 31 de dezembro. Temos uma gama grande de produtos, em torno de 7 mil itens”, menciona Eduardo.

Best Books

Com a ideia de levar obras a preços populares até o consumidor de livros, a Best Books está no Parque Shopping Prudente com 1.200 títulos, devendo chegar até o final do mês com quatro a cinco mil, qualquer um no valor de R$ 10. “A Fúria dos Reis”, “A tormenta de Espadas” e “O festim dos corvos”, de George R. R. Martin; a coleção completa de Sherlock Holmes; livros que originaram filmes como “Harry Potter” (J.K Rowling); P.S. Eu te Amo (Cecelia Ahern); “O pequeno príncipe” (Antoine de Saint-Exupéry); “Poliana Moça” (Heleanor H. Porter) são algumas das preciosidades que podem ser adquiridas por esse valor! Além de coloridos livros para os pequenos.

“Um vem e comenta com o outro sobre a feira. Acredito que com o passar do tempo mais gente venha conhecer. O preço é ótimo e os livros são incríveis!”, garante a vendedora Erika Roberta dos Santos, 24 anos.

Para Luiz Carlos Aragão, 46 anos, idealizador da feira e proprietários da livraria, o livro digital não substitui o impresso até porque o brasileiro ainda não tem essa cultura bem formada e a venda pela internet a mesma coisa.

“Até mesmo pela falta de seriedade da maioria dos sites. Se as vendas online ainda fossem lucrativas no ramo do livro, não teríamos mesmo mais livrarias físicas. O ticket médio hoje para uma loja virtual se manter é acima de R$ 150, R$ 170. Ou seja, o valor do livro é muito baixo para chegar a esse ticket médio. Então, ainda é um mercado que não dá para se explorar muito. O público em si vai pesquisar preço sim na internet, mas a venda ainda acaba sendo realizada na loja”, acredita.

Eduardo Maranho, coordenador de marketing do Parque Shopping Prudente, diz que a Best Books ficará em um período de experiência de três meses no empreendimento e se tudo der certo se fixará no local como uma livraria física.

“Sem dúvida, a revolução digital tem transformado nossos hábitos. Porém, a sensação de folhear um livro é bem diferente de estar em frente a uma tela de um smartphone ou tablet. A meu ver, a leitura é mais prazerosa. Apesar das novas gerações estarem se adequando às novas plataformas que surgem no mercado tecnológico, devemos incentivá-las a ter contato com livros físicos, nos quais a atenção à leitura se torna maior e a dispersão menor. O shopping, apesar de ser um centro de compras, deve cumprir com seu papel social também. E esse é um deles”, pontua o coordenador de marketing.