​​​​​​​Projeto oportuniza crianças até 10 anos lutarem jiu-jitsu

Com 20 atletas, equipe Almeida JJ busca ensinar a modalidade aos pequenos por meio de brincadeiras e dinâmicas

  • 02/12/2018 05:09
  • JULHIA MARQUETI - Especial para O Imparcial

O projeto não nasceu ontem, na verdade, nem em Presidente Prudente. A história começa há 12 anos, no bairro de Itaquera, na capital paulista, quando três irmãos: Diogo Almeida, o Caio Almeida e o Gustavo Almeida, decidiram estender uma lona em seu quintal, embaixo de um pé de manga, para poder ensinar Jiu-Jitsu para crianças. Além de ensinar, os três tinham outro objetivo, de formar atletas e cidadãos, já que a maioria daqueles que frequentavam as aulas não tinham um futuro promissor pela frente. “Viviam vendendo bala no semáforo e tinham tudo para virar estatísticas, mas não muito bacana, e que hoje vivem do esporte”, conta Henrique Ramos, atual diretor regional da equipe no interior.

Tendo orgulho dos atletas que cresceram no projeto, os criadores chegaram a conclusão que não podiam parar apenas ali, mesmo tendo conhecimento de que muitos daqueles que foram seus alunos são atualmente campeões brasileiros, europeus e conquistadores de faixas pretas. Com isso, há um ano, o projeto tomou vida em solo prudentino, e hoje, abriga 20 crianças, de 3 a 10 anos. Além das crianças, Henrique lembra também as outras categorias, que hoje são reconhecidas nacionalmente. “É referência hoje, já que foi pelo terceiro ano consecutivo a equipe mais forte de São Paulo”, lembra o diretor regional. O mesmo, conta que o objetivo com as crianças é chegar neste nível também.

Por isso, em 2019, vão tentar participar de mais competições pelo Estado, mesmo que os custam sejam elevados. “O que dificulta são as competições serem em São Paulo e no Rio de Janeiro, então o transporte é caro, a alimentação, inscrição para os torneios... Jiu-Jitsu não é um esporte barato”, afirma o treinador.

Mas, mesmo não tendo começado em competições para valer, Henrique lembra Igor e Yuri Barros, irmãos gêmeos, que estão com ele a quase dois anos e hoje participam do projeto. “Quem está comigo faz tempo são os gêmeos, então eles acabam acompanhando a gente nas competições. Os dois já são campeões paulistas, na região. Então a ideia é que em 2019 a gente consiga levar as outras crianças, também”, enfatiza.

 

Diferença de trabalho

“Costumo dizer que não é todo mundo que pode dar aula para criança, mas começamos com esse trabalho e a cada vez mais vamos nos apaixonando”, afirma Henrique. O professor conta ainda que há uma diferença de quando dava aula para adultos, por isso a experiência é sensacional. “As crianças têm o poder de assimilação muito grande, então você mostra uma técnica e ela responde muito rápido”, explica.

Além disso, Henrique explica que a modalidade é uma ferramenta de transformação social, então trabalhar com valores como confiança, autoconhecimento e humildade, são fatores importantes, além de trabalhar diretamente com um assunto atual: o bullying. “Queremos que a criança tenha seu psicológico forte, saber da sua capacidade para não sucumbir na problemática do bullying. Então, os praticantes acabam sendo muito mais autoconfiantes, alegres, dispostos”, afirma.

 

Exemplo dos mais novos

Atual equipe mais forte do Estado de São Paulo, aqueles que servem como espelhos para os mais novos conquistaram quatro medalhas no Campeonato Paulista de Jiu-Jitsu, que ocorreu no último final de semana, em São Paulo (SP).

O melhor resultado ficou com Iara Anaí, que conquistou o 1° Lugar no Master Feminino, faixa azul. Com a prata, Jair Mariano, conquistou o segundo lugar no Master Leve, faixa azul. Além disso, Isabelly Melo conquistou o terceiro lugar no adulto feminino, faixa branca; assim como Rogério Menezesm no Master Médio, faixa azul.

Considerando a principal equipe do país, Henrique se diz satisfeito com os resultados, já que a equipe viajou com número reduzido de atletas. “Por ser no final de semana das eleições, conseguimos ir com sete atletas e, dos setes, quatro medalharam. Tivemos um bom resultado, lutaram entre os principais atletas do nosso Estado. Lembrando que São Paulo é o maior celeiro de atletas de Jiu, antes era o Rio, hoje São Paulo está na liderança”, conclui.