José Reis: Local, mesmo com problemas, ainda é utilizado por equipes

Foto: José Reis: Local, mesmo com problemas, ainda é utilizado por equipes

ATLETISMO

Opções de contrapartidas são apresentadas para reforma da pista

Grupo da FCT/Unesp encontrará com o Ministério da Cidadania para discutir alternativas; obra está orçada em mais de R$ 12 milhões, sendo 10% derivados da faculdade

  • 26/05/2019 07:10
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Para quem teve a oportunidade de ver a medalha de prata que o Brasil ganhou nas Olímpiadas de Sidney, na Austrália, durante a prova dos 4x100 m (metros) rasos - no Atletismo -, sabe que a conquista ficou com um gostinho de vitória em Copa do Mundo, ainda mais em uma competição em que o país não trouxe um ouro para casa. Naquele cenário, a cena era estrelada pelos atletas André Domingos, Claudinei Quirino, Edson Luciano e Vicente Lenilson. Além do companheirismo e do esforço que rendeu a medalha, o que todos têm em comum? Os quatro passaram pela pista olímpica da FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista), em Presidente Prudente, como local de treino para que, na prática, o feito fosse possível. Hoje, quase 20 anos depois, o local que revelou grandes nomes quer voltar a revelar grandes nomes. O empecilho? O estado físico da área, que enfrenta desgastes que o tempo trás e prejudica no desempenho de quem a usa. Para tanto, membros da diretoria da faculdade tem reunião marcada para o final do mês, junto ao Ministério da Cidadania, que hoje agrega o antigo Ministério do Esporte, a fim de apresentar opções de contrapartidas e, assim, resultar na reforma do espaço.

Isso porque, conforme explica o vice-diretor da FCT/Unesp, Aldo Eloizo Job, um projeto foi aprovado em 2013 - junto ao governo federal - criando assim um convênio entre a unidade unespiana e o antigo Ministério do Esporte. O resultado foi o repasse de um recurso orçamentário, no valor de R$ 12.599.329,21, destinados à revitalização da pista olímpica. “Mas a condição combinada na época, foi de que a faculdade iria dispor de 10% de contrapartida da cifra”, completa. Sendo assim, o montante ficaria dividido em R$ 11.336.237,28 para o órgão ministerial e R$ 1.263.091,93 para a instituição de ensino.

O tempo passou, e a dificuldade em cumprir como prometido esbarrou no prazo final da vigência do contrato. Contudo, como também conta o vice-diretor, o campus conseguiu prorrogar o tempo em julho de 2017, e novamente em maio de 2018. “Então, considerando a manutenção do contrato de repasse, em vigor até 30 de junho desse ano, solicitamos uma audiência com o Ministério, para apresentar novas propostas, a fim de que o objeto do contrato seja mantido e executado”, complementa.

E a necessidade de pensar em novas contrapartidas surgiu também com o momento de necessidade que a própria instituição de ensino enfrenta, não conseguindo hoje dispor do valor solicitado. “Encontrei com um cara que trabalha com engenharia em São Paulo, que falou sobre um tipo de licitação que chama PPP [Parceria Público-Privada]. Sendo assim, estamos tentando levantar esse valor com algumas empresas”, aponta. A parceria, conforme o governo federal, é um contrato de prestação de obras ou serviços, com duração mínima de 5 e no máximo 35 anos, firmado entre empresa privada e a esfera federal, estadual ou municipal.

A outra alternativa, como dito por Aldo, seria também pedir para que a contrapartida seja retirada. Ademais, e a aposta principal da universidade, é a apresentação do Projeto Talento Cidadão, elaborado por um grupo de professores da unidade, que em como objetivo principal proporcionar às crianças e aos adolescentes, em situação de vulnerabilidade, socialização e novas concepções promovidas pela construção de trajetória própria que envolve responsabilidades por meio de incentivo ao esporte.

Colaboradora do projeto, Jussara Arantes Antônio, detalha que a instituição do programa, que tem parceria do MPE (Ministério Público Estadual) poderá atender 1,5 mil crianças de 7 a 17 anos, que serão acompanhadas por meio de oficinas esportivas e educacionais. “Além disso, elas terão a oportunidade de poder ingressar na universidade, participando do curso preparatório pré-vestibular da instituição, o Ideal”, pontua. O programa será desenvolvido nos bairros Brasil Novo, Conjunto Habitacional João Domingos Netto e Residencial Cremonezi.

“Houve muitas tratativas técnicas já, como especialistas falando de números e como a revitalização do local poderá ocorrer. Mas a presença do Aldo do ministério vem para mostrar a grande importância de promover isso e auxiliar na mudança social de jovens, que poderá ser ainda mais intensificada com a nossa contrapartida, que é a instituição do Projeto Talento Cidadão”, finaliza Jussara. A reunião está prevista para ocorrer entre os dias 27 e 29 de maio, em Brasília (DF).

Conquistas

Em números, não só os atletas que chegaram à Olímpiadas, a universidade, mais precisamente o solo da pista olímpica da FCT/Unesp, agrega competidores que usaram o espaço para se preparar e trazer bons resultados para casa. No balanço da instituição de ensino, feito no início do mês, entre competições internacionais, nacionais, estaduais, regionais e municipais, foram 60 medalhas de ouro, 23 de prata e 18 de bronze. São 49 atletas inclusos na contagem.

Governo federal

À reportagem, o Ministério da Cidadania, ao ser questionado, respondeu apenas que “a contrapartida é exigência legal para celebração de contratos de repasse, conforme a Portaria Interministerial MP/MF/CGU 507, de 24 de novembro de 201”, e a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução orçamentária relativa ao exercício correspondente.