Facebook pessoal - Além de ter participado de grandiosos eventos, jornalista já entrevistou diversas estrelas do esporte

Foto: Facebook pessoal - Além de ter participado de grandiosos eventos, jornalista já entrevistou diversas estrelas do esporte

ENTREVISTA

“O esporte nos proporciona uma overdose de emoções em um curto espaço de tempo”

Rafael Martins dos Reis - JORNALISTA ESPORTIVO

  • 03/09/2019 09:03
  • OSLAINE SILVA - Da Redação

O jornalismo esportivo é uma área sedutora de jovens interessados no mundo da comunicação e uma importante porta de entrada para o mercado. Mas, também necessita de conhecimentos de economia, estatística, direito, história, política e geopolítica para ser um bom profissional. Para falar sobre tudo isso e muito mais sobre essa área apaixonante, o jornalista Rafael Martins dos Reis - que foi repórter da “Folha de S. Paulo”, mantém um blog sobre futebol internacional, entrevistou estrelas como Cristiano Ronaldo e participou de grandiosos eventos como Copas do Mundo e Jogos Olímpicos - estará em Presidente Prudente no dia 5 de outubro, ministrando um curso na Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).

Qual a ideia do curso que você estará trazendo para Presidente Prudente?

A ideia do curso é apresentar aos alunos, ex-alunos e interessados em geral que se identificam com o assunto, um pouco do cotidiano, da rotina de um jornalista esportivo, principalmente sobre o futebol, que é o carro chefe do jornalismo esportivo brasileiro. Mas também como se preparar para grandes eventos, grandes coberturas como Copa do Mundo, Olimpíadas, entre outros eventos grandiosos.

Quais serão as abordagens do curso?

Será abordada tanto a criação de pautas para se fugir do factual, quanto a capacidade de se entender uma partida de futebol, por exemplo. É preciso ir além da cobertura, dos acontecimentos do campo, da quadra ou das pistas. Além da pauta, é necessário passar para o expectador, para o ouvinte ou leitor, informações mais precisas e inteligentes, em um momento em que o humor acaba tomando um pouco de espaço de informação no jornalismo esportivo brasileiro.

O que os participantes têm a aprender e agregar com a experiência?

Eu acho que o jornalismo esportivo é visto muitas vezes até pelo próprio profissional da área como algo um pouco amador. Até pelo fato das pessoas serem muito apaixonadas, muitas vezes elas trabalham com aquilo de uma forma muito apaixonada. Claro que você tem que ter paixão pelo seu trabalho. Mas não esquecendo que aquilo é um ofício, o que significam métodos, responsabilidade e seriedade. E a ideia do curso é tentar trazer um pouco isso. Oferecer uma percepção um pouco mais racional, metodológica, para algo que as pessoas fazem muito na paixão, no piloto automático, exatamente por pensarem muito na diversão e no: ‘ah eu gosto disso’.

Em seu ponto de vista, pode nos falar um pouquinho sobre o porquê de o esporte ser algo tão apaixonante?

Desde a Pré-História, o homem ama o lúdico. Porque o lúdico é uma forma de representar a nossa própria vida, nossa própria existência. Acho que é por isso que o esporte nos emociona tanto, porque é nele que a gente vê rapidamente, maximizada em pouco espaço de tempo, uma mescla de emoções muito grande: o fracasso, o sucesso, a volta por cima. Tudo que acontece na vida real em períodos longos no esporte acontece em pouco tempo. Por exemplo, uma corrida de 100 metros é realizada em menos de dez segundos. Uma partida de futebol em 90 minutos. Então é uma overdose de emoções em um curto espaço de tempo, o que mexe com nossos hormônios, nossa adrenalina, mexe com tudo dentro da gente. Acho que é por isso que o esporte nos emociona tanto, por nos proporcionar uma quantidade enorme de tantas emoções em tão pouco tempo.

Há quanto tempo você trabalha com jornalismo esportivo? Cite alguns dos principais eventos que você acompanhou e que estarão para sempre em suas lembranças...

Eu sou formado em Jornalismo pela UEL [Universidade Estadual de Londrina] desde o comecinho de 2006, ou seja, 13 anos de carreira. Minha carreira foi divida em duas partes. A maior parte desse tempo, de 2006 a 2015, passei trabalhando na ‘Folha de S. Paulo’ sempre com esportes e, desde 2015, tenho um blog de futebol internacional no UOL. In loco eu estive em edição da Copa do Mundo, de 2014, pela ‘Folha’, onde fiquei no Rio de Janeiro cobrindo principalmente a FIFA [Federação Internacional de Futebol] e a organização do Mundial. Cobri outros vários eventos à distância, como a Champions League [também fiz in loco, mas não a final]. Todas as Copas desse período 2006/2010/2018, assim como todas as Olimpíadas. Entrevistei o Cristiano Ronaldo. Enfim, já fiz bastante coisa interessante, principalmente no futebol internacional, que é minha principal área de atuação. 

É bastante triste ver o descaso das esferas governamentais em relação ao incentivo “sério” do esporte. O que você poderia me falar a respeito?

A questão é simples, o Brasil não tem uma política de incentivo ao esporte. Isso simplesmente não existe. Houve uma descarga enorme de dinheiro público no setor, principalmente por causa das Olimpíadas Rio 2016, ou seja, teve um investimento massivo não tanto em formação de atletas, mas sim nos já de elite para conseguir um número legal de medalhas e não passar vergonha em casa. Mas o Brasil não tem essa cultura, quando se pensa aonde se pode cortar, o esportes é um dos primeiros lugares a ser cortado.

E por que isso?

Porque a gente não tem essa ideia de que desenvolver o esporte significa melhorar a saúde, por exemplo. Diminuir gastos nesse setor. Falta o Brasil conseguir formas de incentivar em massa a prática esportiva. Acho que isso é um pouco de culpa também do futebol porque somos um pouco monocultural em relação ao esporte, e como o futebol meio que todo mundo joga e os clubes dão conta da formação dos atletas, temos aí uma ideia de que não se precisa investir em esportes porque o talento brota naturalmente. Não, não brota. O que acontece no futebol é que ele tem uma estrutura de criação de atletas consolidada há muito tempo e que independe do poder público. Mas em outras modalidades esportivas, isso não acontece. Seria necessário um investimento estatal ou mais incentivos fiscais do que existe, para que houvesse um investimento maior na formação de atletas. Não apenas à formação de atletas, mas incentivo à prática de exportes por crianças também.

Serviço

O curso de Jornalismo Esportivo é oferecido pela Facopp/Unoeste (Faculdade de Comunicação da Universidade do Oeste Paulista). As inscrições podem ser feitas até o dia 3 de outubro, dois dias antes do curso, das 8h às 17h. O valor é de R$ 150 e pode ser parcelado em três vezes no cartão. Interessados podem se inscrever no link unoeste.br/cursoslivres/cursos/jornalismo-esportivo_12B8.