Arquivo - Setor de artefatos de couro teve variação de -2,54% na região em março

Foto: Arquivo - Setor de artefatos de couro teve variação de -2,54% na região em março

“RECEIO DE INVESTIR”

​​​​​​​Indústria registra saldo negativo de 800 postos de trabalho na região

Na Diretoria Regional do Ciesp/Fiesp, composta por 65 municípios, variação de março ficou em -1,88%, depois de dois meses com números positivos

  • 17/04/2019 04:00
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Depois de mostrar uma recuperação no primeiro bimestre de 2019, o nível de emprego da indústria voltou a cair na Diretoria Regional de Presidente Prudente, composta por 65 municípios. Divulgados na tarde de ontem, os dados do Ciesp/Fiesp (Centro e Federação das  Indústrias do Estado de São Paulo) referentes ao mês de março mostram que o período fechou com variação negativa de -1,88%, o que representa um saldo negativo de 800 postos de trabalho. Desde março do ano passado, o setor vem sofrendo com a recessão, por conta da alta no desemprego gerado pela crise econômica.

Para o diretor regional do Ciesp/Fiesp, Wadir Olivetti Júnior, a única explicação para esse declínio pode estar relacionada ao receio das empresas em investir. “Realmente não sabemos o que está ocorrendo e porque está dessa forma. Talvez venha da avaliação negativa do novo governo, que retém novos investimentos até que haja uma reforma na Previdência”, argumenta.

Isso porque, ainda de acordo com ele, o terceiro mês do ano geralmente é marcado por um “bom desempenho” na indústria. “E isso vem de uma retomada das usinas, por exemplo, que acaba promovendo uma maior geração de emprego”, analisa. Sendo assim, Wadir reitera que, após um bimestre positivo, o recuo “só pode ser” receio das empresas.

Principais setores

O nível de emprego industrial na diretoria regional do Ciesp/Fiesp de Prudente em fevereiro ainda mostra que a situação foi influenciada pela soma das variações negativas dos seguintes setores: produtos alimentícios (-4,26%); artefatos de couro, calçados e artigos para viagem (-2,54%); móveis (-0,87%) e produtos de minerais não-metálicos (-0,90%).

À frente de uma das categorias, Vicente Lopes da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Artefato e Curtimento de Couro, explica que a crise empregatícia também assolou o setor, “que tem dificuldades para se recuperar”. Para eles, os números são reflexos de uma recessão e queda na produção, conforme o passar dos anos.

Por outro lado, mesmo cada vez mais operando com menos recursos humanos na categoria regional, ele não deixa de destacar que o segmento é forte na região. “O país todo está sofrendo, então o desempenho, de todos os segmentos em comparação geral, continua igual, de forma proporcional”, afirma.

Acumulado

No acumulado do ano, por outro lado, o cenário ainda é positivo, sendo 0,13% a variação, representando um aumento de aproximadamente 50 postos de trabalho. Já olhando pelos últimos 12 meses, o estudo do Ciesp/Fiesp revela déficit de -7,24%, equivalente a uma queda de cerca de 3.150 vagas de emprego.

números

50

Saldo entre contratações e demissões no primeiro trimestre

-1,88%

Variação de março, último mês analisado pelo Ciesp/Fiesp

-4,26%

Índice do setor mais negativo: produtos alimentícios

-3.150

Saldo do emprego na indústria nos últimos 12 meses