Carlos Nunes -

Foto: Carlos Nunes -

ENTREVISTA

“Gostei de sentir o vento em meu rosto, me senti livre. Correr é mágico e inexplicável”

Geane Francisca Pereira - ULTRAMARATONISTA

  • 28/08/2019 08:01
  • OSLAINE SILVA - Da Redação

Há uns três anos, a convite de uma amiga, a corrida conquistou a professora Geane Francisca Pereira, 42 anos, em um momento quando se encontrava em uma triste fase de depressão. Versátil, além dessas duas atividades ela faz natação, hidroginástica, musculação e balé clássico. Cansa só em pensar, certo? Agora imagine, ela acelerou o passo e partiu para eventos maiores. No dia 9 de novembro, por exemplo, Geane participará da BR 135 Ultramaratona de Rua, em São Carlos (SP)!

O Imparcial - Qual, onde e quando será a prova que participará?

Será a BR 135 Ultramaratona de Rua, no dia 9 de novembro, em São Carlos. Meu objetivo é melhorar meu tempo na prova, qual participei, em julho, em Presidente Prudente, conquistando o primeiro lugar feminino! Atualmente, sou a terceira colocada no ranking nacional [que fechará em 31 de dezembro] e quero subir para a segunda posição. Desejo ficar entre as cinco primeiras no ranking nacional nos 50 km da Ultra BR 135. Há possibilidade de depois que concluir os 50 km pedir autorização para continuar correndo até 80 km ou 100 km. E se eu terminar bem, com certeza vou continuar.

Quando foi que a corrida te conquistou?

A corrida conquistou-me há quase três anos. Eu estava numa fase depressiva e uma amiga me convidou para correr com ela. Gostei de sentir o vento em meu rosto, me senti livre enquanto eu corria! Percebi que havia uma magia naquele momento e eu sentia um enorme desejo de superar meus limites. A alegria vinha naturalmente a cada passo, a cada quilômetro. No segundo semestre de 2016, comecei a treinar na Apea [Associação Prudentina de Esportes Atléticos] com minha atual treinadora Letícia de Mattos Oishi [Sinérgica Assessoria Esportiva].  

Quantos eventos você já participou?

Comecei correndo em 2016 em 4, 5 e 6 km. Em 2017, corri de 4 km até 8 km; em 2018, participei de provas de 4 km até 10 km e, em 2019, comecei com provas de 12 km a 21 km, quando estava sendo treinada para correr minha primeira maratona, pois quando iniciei meu treinamento, em 2016, a meta era correr 42 km [uma maratona] aos 42 anos. Mas, surgiu a oportunidade de participar de uma Ultramaratona de 50 km, desafiei a mim mesma e conquistei o primeiro lugar!

“O esporte pode curar o corpo, a mente e a alma! Ele dá a oportunidade de sociabilização, de fazer amigos, conhecer lugares e culturas diversas”

Quais as suas conquistas?

Até o momento foram 45 corridas e 26 pódios. Em 2016 conquistei dois pódios, em 2017 foram quatro, em 2018 nove e até o momento, em 2019, conquistei 11 lugares lá em cima, dentre eles o primeiro lugar – 50 km na ultramaratona BR135, em Prudente.

O que mais toma conta das horas do seu dia?

Além da corrida, faço natação, hidroginástica, musculação e balé clássico. Por dia, pratico em torno de três a cinco horas de atividades físicas, de segunda a domingo. E dou aula de língua portuguesa, orientação de estudos e disciplinas eletivas, na EE [Escola Estadual] de Ensino Integral Joel Antonio de Lima Genésio, em Presidente Prudente. E das 7h às 16h, estou cursando o 3º ano de Pedagogia,  que inclui  estágio.

Qual a sua formação? Em quais instituições?

Sou graduada em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Inglês, pela Unoeste [Universidade do Oeste Paulista], pós-graduada pela Unesp [Universidade Estadual Paulista] em Educação Especial, e estudando Pedagogia na Univesp (Universidade Virtual do  Estado de São Paulo)

O que você busca no esporte a longo prazo?

Como objetivos a longo prazo eu pretendo participar, em 2020, da Maratona Internacional de Porto Alegre, em busca do "Qualify" para em 2021 estar na Ultramaratona Comrades, na África. Em 2022, espero estar pronta e com qualificação para fazer parte dos atletas da UAI [Ultramaratona dos Anjos Internacionais], conhecida como a Rainha das Ultras, devido ao seu percurso montanhoso.

Além da promoção da saúde, por experiência própria em como você começou a praticar, o que você acredita que o esporte pode fazer na vida de uma pessoa?

O esporte pode curar o corpo, a mente e a alma! Ele dá a oportunidade de sociabilização, de fazer amigos, conhecer lugares e culturas diversas. Eu gosto muito de uma frase do corredor Kevin Nelson que diz: ‘Todo dia é um bom-dia quando você corre’. Todo dia é um ótimo dia quando praticamos esportes! Outra frase que gosto muito é: ‘Existe algo mágico no ato de correr. Talvez seja a sensação de liberdade ou a felicidade de superar a si mesmo todo momento. Cada corredor tem seu motivo. É algo que não dá para explicar, apenas sentir’ [Jesse Owens]... correr é mágico e inexplicável.