José Reis - Caminhada foi uma das atividades mencionadas pelos moradores que gostavam do horário

Foto: José Reis - Caminhada foi uma das atividades mencionadas pelos moradores que gostavam do horário

MEDIDA NOVA

Fim do horário de verão divide opiniões em Prudente

Após recomendação do Ministério de Minas e Energia, Jair Bolsonaro (PSL) anunciou que não foram comprovadas afetivas economias com a alteração de uma hora

  • 14/04/2019 07:00
  • GABRIEL BUOSI - Da Reportagem Local

O presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL), após recomendação do Ministério de Minas e Energia, anunciou no início deste mês que o país não adotará o sistema do horário de verão em 2019, já que a pasta teria indicado uma baixa efetividade na economia de energia, o que seria a principal reivindicação para a mudança em todos os anos. Em Presidente Prudente, a reportagem esteve nas ruas para saber qual a opinião da população, e encontrou pessoas divididas entre satisfeitas e contrárias ao anúncio.

Naqueles que estão contra as mudanças está o funcionário público de 55 anos, Hélio Augusto Bonfim. À reportagem, ele afirmou que havia ouvido comentários sobre essa alteração, mas lembrou de que não sabia sobre o presidente ter “batido o martelo”. “Eu sempre gostei dessa mudança de uma hora, pois conseguia fazer uma caminhada após meu horário de serviço. Hoje escurece muito cedo e, sem isso, não vou conseguir mais aproveitar”, salienta. Ele lembra que a medida deveria ser revista, mas não com prioridade, já que “o governo tem coisas mais importantes para se preocupar, do que com o horário de verão”.

Vanda Lopes da Silva, 55 anos e dona de casa, afirma que também foi pega de surpresa com o anúncio, já que a mudança nunca foi um problema para ela. “Para as atividades de uma dona de casa eu penso que rende mais o serviço, o dia parece ser mais aproveitado. Não apenas para nós, mas aos trabalhadores também e que poderiam usar esse fim de tarde para alguma atividade diferente, como uma caminhada”, expõe.

Já em relação aos moradores favoráveis à decisão está o bancário aposentado de 66 anos, Norival de Moura. Para ele, que afirma nunca ter aproveitado o horário de verão, o novo anúncio é visto com bons olhos e representa a “única medida boa que o governo novo tomou”. “Isso mexe demais com nosso organismo e eu costumo sair com amigos quando o sol se põe, com aquele velho horário, isso ocorria já perto das 21h e era muito tarde”. O comerciante de 54 anos, Isarael Thomas Gomes, concorda com o posicionamento e afirma que, para ele, a nova medida é vista com positividade. “Não fará diferença alguma para mim ou minha família. Acho que não gerava economia nenhuma”, finaliza.

Mudanças decretadas

Segundo o ministério, historicamente o horário de verão teve como principal objetivo o melhor aproveitamento da luz natural a partir do adiantamento dos relógios em uma hora, e consequente redução de consumo de energia elétrica no início da noite. “No Brasil, era nesse período que se registrava o maior pico de consumo e, dessa forma, o horário era um benefício para população”, expõe a pasta.

No entanto, o ministério afirma que nos últimos anos houve mudanças no hábito de consumo de energia da população, o que fez com que fosse deslocando o período de maior consumo diário para o período da tarde, justamente quando o horário de verão não tem influência. "O ministério trouxe um parecer 100% favorável ao fim do horário de verão. No parecer dele, a mudança não causa economia de energia para nós e mexe no teu relógio biológico, então atrapalha a economia, em parte”, afirmou o presidente à Agência Brasil.