José Reis - Tenente Ferreira:

Foto: José Reis - Tenente Ferreira:

ENTREVISTA

“Enquanto existir um fio de esperança, há vida a salvar”

Marcos Ferreira de Sousa - Tenente

  • 28/09/2019 04:03
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Acidentes de trânsito ocorrem, mas existem condições de segurança que podem impedi-los. Mas, diante de um acidente, mesmo que supostamente fatal, o Corpo de Bombeiros atua veementemente no sentido de proteger e salvar as pessoas. Aliás, “enquanto existir um fio de esperança, há vida a salvar”. Pelo menos é desta forma que encara o tenente Marcos Ferreira de Sousa, e também a maneira que a corporação é preparada para atuar.

O Imparcial: Assim que é recebido um chamado para socorrer um acidente, qual o procedimento padrão?

Tenente Ferreira: Primeiramente, se o atendimento é realizado via telefone, precisamos identificar o tipo de ocorrência, e o que essa ocorrência demanda do Corpo de Bombeiros. A gente recebe e pega os dados preliminares, que é muito essencial nesse momento e, por isso, precisamos da calma das pessoas. Muitos ligam apavorados e, diante desse cenário, muitas vezes faltam alguns dados. Deve ser passado o mínimo necessário. Então, a gente pede calma à pessoa. Porque para se deslocar, conforme o tipo de ocorrência, a equipe precisa saber o que é necessário, como quantidade de homens e a estrutura material necessária. Por exemplo, se é um acidente de trânsito com vítima ou sem, é uma situação diferente para cada. Existe um trem de socorro para cada tipo de ocorrência e é preciso identificar qual enviar, para agilizar o socorro necessário.

Há diferença no posicionamento do atendimento caso seja em via urbana ou na rodovia, e de manhã ou de noite, por exemplo?

Sinceramente não. Independente da condição, a gente pede, ao solicitante, que se coloque em uma situação de segurança, por exemplo, ficar às margens da via e não ao lado de um carro colidido. É claro que a noite sempre agrava a situação, tanto para os solicitantes quanto para as equipes, em vista da visibilidade que fica afetada. A gente houve isso pelo senso comum. A visibilidade é algo principal e, caso seja prejudicada, juntamente a uma condição adversa, como chuva, isso implicará numa dificuldade.


Quando é constatada a morte no local do acidente, o que é feito a seguir?

Nós não somos médicos. Mas existem critérios para a constatação de óbito no local. Por exemplo, situações irreversíveis, como decapitação, flexionamento completo de tórax, esmagamento completo e mais alguns. Mas fora isso, diante de um acidente, nós realizamos todos os procedimentos possíveis. Enquanto existir um fio de esperança, há vida a salvar. Mobiliza, faz manobras de reação, enfim, o possível, e entregamos nas mãos dos médicos.

Quais as primeiras dicas de primeiros-socorros para quem está apto a prestar auxílio a alguém que acabou de se envolver em um acidente e encontra-se em estado grave?

Primeiro de tudo: chamar o Corpo de Bombeiros. Em seguida: deixar o local em segurança. Não se pode se colocar em uma situação de risco. É preciso sinalizar o local da forma que puder. No máximo, orientar as vítimas para se manter na posição que estiver. É importante não sair da posição, pois quando há um trauma, não temos condições iniciais de medir a parte interna e a gravidade. Tem que se atentar à lesão da coluna vertebral, porque se ela ocorrer pode causar sequelas irreversíveis.

E as dicas para evitar esse momento triste e de tragédia?

Não ter pressa. Lembrar que o álcool é inimigo da direção. Essas são as principais, pelo menos. E as secundárias giram em torno de dirigir de forma preventiva, respeitando o limite de velocidade e se atentando às condições adversas. Prudência!