Cedida/Breno Erbella - Breno e sua seleção, a 3ª colocada na Copa do Mundo, em Sevilha, na Espanha

Foto: Cedida/Breno Erbella - Breno e sua seleção, a 3ª colocada na Copa do Mundo, em Sevilha, na Espanha

ENTREVISTA

“Desejo sempre que meu atleta ganhe. A emoção é gigantesca, a pressão sobe, a frequência cardíaca aumenta”

Breno Luis Erbella Casari - ESPECIALISTA EM MEDICINA ESPORTIVA

  • 15/08/2019 05:58
  • OSLAINE SILVA - Da Redação

Presidente Prudente, além de contar com o talento dos paratletas Jerusa Geber (atletismo), Gabriel Aparecido dos Santos Garcia (atleta guia/atletismo) e Rogério Júnior Xavier de Oliveira (parabadminton - simples, SL4), terá também o médico Breno Luis Erbella Casari, que é natural de Presidente Venceslau, mas  mora em solo prudentino, compondo os representantes brasileiros nos Jogos Parapan-Americanos, que ocorrem em Lima, no Peru, de 23 de agosto a 1º de setembro. Breno é movido a esporte, um apaixonado por futebol qual sua seleção foi terceira colocada na Copa do Mundo, em Sevilha, na Espanha, no mês passado. Sua paixão por esportes é tão grande que, mesmo fazendo Medicina, lá foi ele se especializar em Medicina Esportiva!

 

Breno, você estará no Parapan-Americanos juntamente com nossos paratletas, Jerusa Geber (atletismo) e seu atleta/guia Gabriel Aparecido dos Santos Garcia, e Rogério Júnior Xavier de Oliveira (parabadminton - simples, SL4). Os atletas passam por alguma avaliação antes da competição?

Embora eu seja médico oficial do futebol para sequelados de paralisia cerebral, Futebol PC [também chamado de ‘Futebol de Sete’] que estará no Pan, nesta competição em especial fui convocado pelo CPB [Comitê Paralímpico Brasileiro] para compor o corpo médico de saúde, não para uma modalidade específica, mas em uma equipe multidisciplinar com fisioterapeutas e outras especialidades para cuidar dos atletas. O CPB fez sim uma avaliação pré-participação onde os atletas precisam realizar exames cardiológicos e de laboratório para ser avaliada sua aptidão para participar de atividades competitivas.

 

Quais os problemas de saúde/lesões mais comuns que os atletas, de modo geral, apresentam? 

Em se tratando do paradesporto, eles já têm alguma deficiência congênita ou adquirida, dependendo da modalidade. De um modo geral, as lesões musculares e osteoarticulares são mais decorrentes da prática mesmo, como musculares, traumas... No futebol de cegos, por exemplo, as cabeçadas são frequentes.

 

De que forma você, enquanto médico, se prepara para essas competições internacionais?

Não apenas para as competições internacionais, mas a gente precisa estudar para a vida toda. Então tenho estudado muito sobre o paradesporto de modo geral, sobre as modalidades disputadas nas competições, como tratar, prevenir, orientar sobre lesões. Ou seja, o preparo é sempre, contínuo. Estudar sempre e assim ir conhecendo mais e mais os esportes praticados pelos paratletas.

 

Por que você escolheu a especialidade em Medicina Esportiva? Você pratica alguma modalidade em especial?

Simplesmente porque sou um apaixonado por esporte! Eu que sou venceslauense cheguei a ficar nas categorias de base do Corinthians. Sou tão apaixonado por futebol que em dia de domingo, não tenho problema nenhum se não tiver nada pra fazer e ficar na frente da TV o dia todo assistindo um jogo. Sou daqueles que assiste até jogo repetido [risos]. Acabou que fiz a faculdade de Medicina e quando me formei, em 2002, como essa modalidade existia, fui buscando me aprimorar até obter o título de especialista.

 

Medicina esportiva é só para atletas?

Não. É sempre bom deixar claro que medicina esportiva não é apenas para atletas, mas para todos aqueles que queiram estar bem para praticar alguma atividade física. E assim como para o atleta é importante a avaliação funcional, para o ‘não’ atleta igualmente, pois para a pessoa praticar uma atividade física ela necessita passar por uma avaliação funcional sendo osteoarticular, cardíaca, exames de laboratório quando necessários para assim, poder exercitar-se com a maior segurança possível.

 

Como fica o seu coração enquanto os atletas que você cuida estão em ação?

Logicamente que a emoção é muito grande. Desejo sempre que meu atleta ganhe [risos]. A emoção é gigantesca, a pressão sobe, a frequência cardíaca aumenta... Contudo, temos que ser racionais, profissionais e nos controlar. Mas confesso que minha adrenalina é sempre muito grande [quem me conhece sabe disso], sou bem visceral nessa questão. Logicamente, respeitando as regras de todas as modalidades porque quando a gente vai para uma competição, a principal coisa é que respeitemos o adversário.