Paulo Miguel - Dez vezes campeã mundial de futevôlei, Lana ministra aula aberta em cidades da região nesta semana

Foto: Paulo Miguel - Dez vezes campeã mundial de futevôlei, Lana ministra aula aberta em cidades da região nesta semana

ENTREVISTA

“Daqui pra frente, é dar ao esporte tudo aquilo que o esporte me deu”

Lana Miranda - ATLETA DE FUTEVÔLEI PROFISSIONAL

  • 27/09/2019 05:18
  • MARCO VINICIUS ROPELLI - Especial para O Imparcial

Lana Miranda “Multicampeã”, este poderia ser o nome completo desta atleta de 37 anos, 23 deles dedicados ao futevôlei. Atuante na comissão de esportes da Câmara e Senado Federal, defensora do esporte como formador de cidadãos e nada menos que dez vezes campeã mundial de futevôlei, ela foi convidada pelo Sesc Thermas de Presidente Prudente para visitar o oeste paulista e oferecer suas famosas clínicas, onde passa um pouco de sua vivência como atleta profissional a outros atletas e até aos curiosos. Hoje, a oficina - realizada ontem em Teodoro Sampaio - ocorre das 18h às 21h, na Rua Almirante Barroso, 877, em Presidente Venceslau. Amanhã, ela encerra as clínicas no Sesc Thermas de Prudente, das 10h às 13h. A candanga, gentílico de quem vive em Brasília (DF), se orgulha em dizer que embarca em novembro, para Israel, onde competirá, ao lado do técnico Nelinho e a parceira de jogos, Josy, em mais um mundial.

O Imparcial - Conte um pouco de sua história no esporte...

Quando a gente nasce, a gente já nasce com esse negócio da bola na veia, do futebol, minha família toda muito ligada ao futebol. Sempre joguei futebol, me profissionalizei, fui a dois campeonatos brasileiros, conheci a Formiga, Roseli. Aí tive uma contusão no joelho e comecei a tratar na areia, foi aí que o futevôlei entrou na minha vida. Começou o futevôlei em Brasília, eu logo comecei a jogar, não precisava daquele time grande como no futebol, aí me confederei na Confederação Brasileira e comecei a competir. Daí pra frente foram só coisas boas, só títulos, meu primeiro campeonato mundial foi nos Estados Unidos, em 2004, me sagrei campeã. Depois disso, cheguei a dez títulos mundiais, tenho 19 brasileiros. Sou contente e luto pelo esporte, principalmente feminino.

Como funcionam essas oficinas que você está fazendo em várias cidades da região?

Fiquei muito feliz com o convite do Sesc, acho muito importante difundir o futevôlei. Essas clínicas funcionam da seguinte forma: Eu faço uma palestra falando da minha história, da minha carreira, de algumas curiosidades e regras do esporte, da maneira que o futevôlei está crescendo aqui e no mundo. Depois vamos para a quadra e explico os movimentos e a parte técnica com bola, ressaltando defesa, ataque, locomoção na quadra... É um trabalho rápido, mas com várias dicas, as pessoas têm gostado bastante, temos aproveitado muito essas clínicas e tenho feito no Brasil todo.

Qual o público alvo dessas clínicas?

O público é totalmente variado, têm crianças, têm pessoas mais velhas, idosas, pessoas que já jogam ou que estão iniciando. Acaba que até o público curioso, que quer saber mais sobre o esporte, tem muito interesse, principalmente as mulheres. Atualmente tivemos o Campeonato Mundial de Futebol Feminino sendo transmitido, então as mulheres devagar vão se empoderando do esporte e os preconceitos vão quebrando.

Quais os principais desafios da sua carreira?

Não foi fácil no começo, não é até hoje, o brasileiro é machista, mas vamos quebrando este paradigma, mostrando que a mulher pode estar onde ela quiser. Outra parte do desafio é em relação aos apoios, patrocínios, de empresas, do governo, mas, enfim, a gente vai lutando. Em Brasília, estou muito ligada ao Ministério dos Esportes. Tivemos um grande apoio, durante anos, que foi o Bolsa Atleta, mas foi cortado. Então nós estamos sem incentivo, temos que ir matando um leão por dia.

Qual a importância, na sua visão, trazer essas oficinas de futevôlei para o interior paulista?

É sensacional. As pessoas já estão entrando em contato comigo, falando que me acompanham, felizes por eu estar aqui na região. Então, a importância é promover um esporte diferente. Muitos jogadores de futebol que encerram a carreira vão jogar futevôlei, este é um incentivo à mostra em redes sociais. E divulgar aqui no interior é mostrar que não precisa ter praia, basta ter uma boa quadra de areia que é possível jogar. O condicionamento físico na areia é muito importante, o fato de ser ao ar livre é muito interessante, além de estar se divertindo.

Quem é seu ídolo?

Meu ídolo é meu pai, não tem como ser diferente. No esporte, no futevôlei, fui uma das poucas atletas que conheci e vi o Renan jogar, ele é como o Pelé do futevôlei, hoje já não joga mais, mas eu o vi jogar, era criança na época, eu me espelho muito nele, sempre muito centrado. Agora em outros esportes, tenho vários. Ayrton Senna, Hortência, Zico...

Você, filiada ao PRB, foi candidata à deputada distrital, no Distrito Federal, nas eleições de 2018. O que você visa alcançar pela política?

Foi uma experiência fantástica na minha vida, nunca tinha pensado em entrar no ramo da política, então fui convidada por um partido para integrar um time, somar com o time, elegemos dois deputados distritais e um federal. Eu vim totalmente da parte do esporte, visitei muitas escolinhas, vários projetos sociais e isso fez desenvolver muitas coisas em relação ao que eu quero. Daqui pra frente é dar ao esporte tudo aquilo que o esporte me deu. Não tem como a gente desenvolver projetos que não tenham apoio político e os políticos têm verbas para disponibilizar para o esporte. Através de políticas públicas do esporte a gente pode canalizar recursos para que crianças e jovens tenham direção e rumo para seguir através do esporte.

 

 

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