Líderes europeus atacam decisão de Trump sobre cúpula do G7

ESTELITA HASS CARAZZAI WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) • 10/06/2018 21:15:00

Para uns, foi infantil. Para outros, uma demonstração de força. Assim como quase tudo que vem do presidente Donald Trump, a decisão do americano de voltar atrás e não endossar o comunicado final do G7, após dois dias de discussões, foi recebida com divisão. Entre líderes europeus, a medida, tomada horas depois do final do encontro, no sábado (9), foi duramente criticada e chamada de "infantil" e "desanimadora". "Numa questão de segundos, você pode destruir tudo com alguns caracteres do Twitter", disse o ministro alemão Heiko Maas. "Foi, claro, um pouco depressivo", afirmou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Trump decidiu retirar apoio à declaração do grupo, que reúne sete das principais economias desenvolvidas do mundo, pelas redes sociais —depois de ouvir os comentários do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, de que as tarifas impostas pelos EUA contra o aço e o alumínio importados eram "um insulto". "A cooperação internacional não pode depender da raiva ou de pequenas palavras. Vamos ser sérios e dignos de nosso povo", informou o governo francês, em comunicado neste domingo (10). "Nós passamos dois dias trabalhando num acordo. Qualquer um que deixe isso para trás mostra incoerência." "[Trump] agiu e reagiu do modo infantil que poderíamos esperar", declarou Norbert Röttgen, líder do comitê de relações exteriores do Parlamento alemão. Políticos como o veterano senador John McCain lamentaram a falta de apoio ao consenso costurado por tradicionais aliados dos EUA. "Os americanos estão com vocês, mesmo que nosso presidente não esteja", declarou McCain. Na internet, a foto que se tornou um símbolo do encontro (que opõe Merkel, apoiada em uma mesa, ao presidente Trump, sentado em uma cadeira com os braços cruzados) virou meme: muitos viram nela uma demonstração de arrogância do americano. "Petulância é uma atitude, e não uma política", disse o diplomata americano Richard Haass, presidente do Council on Foreign Relations. "O unilateralismo não pode ser bem-sucedido diante dos desafios atuais do mundo." Mas assessores da Casa Branca vieram a público para defender a decisão, e disseram que o presidente não daria mostras de fraqueza —ainda mais rumo ao encontro com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, a ser realizado na noite desta segunda (11). "Ele não vai deixar que um primeiro-ministro canadense o intimide", afirmou o conselheiro econômico de Trump, Larry Kudlow. Para ele, a atitude de Trump demonstra força e manda uma mensagem ao líder norte-coreano, de que o americano não fará acordo sem que haja uma real concessão por parte de Kim rumo à desnuclearização. Outros assessores elogiaram o que consideram ser a consistência de Trump em sua abordagem do comércio. "Mais um encontro em que os outros países esperavam que a América fosse, para sempre, o seu banco. Não mais", declarou John Bolton, assessor de Segurança Nacional. Pivô da discórdia, o primeiro-ministro canadense se limitou a celebrar a declaração conjunta do G7, que defende o livre-comércio e a democracia —assinada por todos, menos por Trump. "É um acordo histórico que fará nossas economias mais fortes e prósperas; é isso que importa", declarou Trudeau.
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