Dona da rede Frango Assado acerta fusão com empresa de refeições da Copa 2014

ANA PAULA RAGAZZI SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) • 13/06/2018 09:45:00

A International Meal Company (IMC), dona das redes Viena e Frango Assado, entrou em acordo para unir suas operações com a Sapore, que produz refeições corporativas e foi responsável pelo serviço na Vila Olímpica, na Rio 2016 e nas 12 sedes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, após seis meses de negociações, segundo fontes que acompanharam as conversas. A transação, cujos termos estão sendo finalizados pelos advogados das duas empresas, prevê uma fusão entre ambas. Os acionistas da IMC, que tem ações negociadas em Bolsa, ficarão com 65% da nova companhia. E a Sapore, que tem o empresário uruguaio Daniel Mendez como dono, com 35%. Ao mesmo tempo que a união for anunciada, será lançada, pela Sapore, uma oferta pública de aquisição de 25% das ações da IMC. A oferta avaliará cada ação da IMC a R$ 9,30 -esse valor representa um prêmio de 21,5% em relação ao fechamento de R$ 7,66 dos papéis da dona do Frango Assado nesta terça-feira (12) na B3. As conversas entre IMC e Sapore haviam emperrado em março porque Mendez fazia questão do controle (50% mais uma ação) da nova empresa. Há cerca de um mês, o diálogo foi retomado numa proposta de 60% para os acionistas da IMC e 40% para a Sapore; mas a IMC batia o pé no intervalo de 65% e 35%, que acabou sendo acordado.   Mendez cedeu no percentual, mas decidiu lançar a oferta por 25% das ações da companhia, com o objetivo de cancelá-las. Isso equivale dizer que se ele conseguir atrair todo esse percentual com o prêmio de 21,5% oferecido, sua participação na empresa, por conta do cancelamento das ações, subirá dos 35% para cerca de 42%. Essa oferta poderá ser a porta de saída para alguns dos atuais acionistas da IMC. Os mais relevantes são os fundos  Advent (10%), Kabouter (7,85%), Neo (5%); Uv (5%), British Columbia Investment Management Corporation (6,83%) e XP (5,12%). Desde novembro de 2017,  quando o fundo de participações Advent vendeu cerca de 70% da IMC em uma oferta de ações na Bolsa, a IMC não tem mais um controlador definido. Foi após a saída da Advent do controle -o fundo ainda mantém a fatia de 10%- que as  conversas com a Sapore se acentuaram. Quem liderou a negociação pela IMC foi Newton Maia, presidente global da companhia, e ex-diretor da Advent. Desde que assumiu a IMC, em janeiro de 2017, Maia conseguiu melhorar a gestão do negócio e torná-lo muito mais rentável, o que fez com que o Advent vendesse suas ações em 2017 por R$ 8, o dobro do que pagou ao entrar no capital da companhia, em novembro de 2015. Nos últimos meses, os fundos que têm participações relevantes na empresa se uniram para dizer a Maia que desejavam o negócio, de olho nas sinergias que ele pode gerar. Também é desejo desses acionistas que Maia permaneça no comando da operação. No final de fevereiro, a Sapore fez uma apresentação a investidores em que falava sobre as potenciais sinergias a serem extraídas da combinação das empresas. Entre elas, estão o aumento do poder de negociação com fornecedores, ganhos em logística e distribuição, redução do custo de mão de obra direta, pela otimização de operações de cozinha e racionalização administrativa. As sinergias estimadas são entre R$ 50 milhões e R$ 90 milhões. Pessoalmente, Mendez, que enxergava sua empresa com pelo menos o mesmo valor de mercado da IMC (R$ 1,2 bilhão), busca liquidez para seu patrimônio. Ao juntar sua empresa com a IMC, ele pula a etapa de fazer uma oferta pública inicial de ações de sua companhia. Procuradas pela reportagem, a Sapore informou que conversa com a IMC desde janeiro, mas que não há nada fechado, e a IMC não comentou. O Advente também não se pronunciou sobre o assunto. A operação ainda deverá ser avaliada pelo conselho da IMC e por uma assembleia de acionistas.  
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