Autoescola precisa ser mais exigente na concessão da carteira, afirma especialista

CAIO ARAUJO BARUERI, SP (FOLHAPRESS) • 11/06/2018 18:45:00

Maior fiscalização em autoescolas, rigidez para aplicar multas e melhorias na sinalização das vias e na educação de quem está no trânsito devem reduzir o índice de mortalidade nas ruas e estradas. Essas foram as principais conclusões dos especialistas que participaram de um dos debates na 2ª edição do fórum Segurança no Trânsito, evento promovido pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (11), em Barueri (SP). O fórum contou com o patrocínio da CCR, Ambev, Pirelli, Uber e Anfavea. No Brasil, são mais de 40 mil mortes no trânsito por ano, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Os motociclistas são os mais atingidos. Só em São Paulo, foram 412 mortes no primeiro trimestre deste ano. Para Eliana Malizia, piloto de testes de motos e repórter especialista no tema, as autoescolas precisam ser mais exigentes na concessão da carteira de motorista. De acordo com ela, muitas não chegam a cobrar dos alunos noções sobre itens básicos de segurança, como luvas e botas especiais. “Há item de segurança para todos os bolsos. Não tem desculpa para não usar”, afirmou. A adoção de sensores de ponto cego em carros e a redução da velocidade para 50 km/h nas vias urbanas expressas também podem aumentar a segurança dos motociclistas, segundo Eliana. A inexperiência dos condutores é um outro fator de risco, de acordo com a piloto. “Muita gente acaba de tirar carta, tem grana e já quer ter um motão. Não acho que tenha de proibir, mas precisa ter controle. Via pública não é local de competição.” A imprudência está mais associada aos pilotos noturnos que costumam utilizar a motocicleta para lazer e não para trabalho, de acordo com Luis Henrique Rosseto, chefe do pronto-socorro do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de São Paulo. SISTEMA DE SAÚDE Mesmo quando sobrevive aos acidentes, grande parte dos motociclistas fica com sequelas graves, como amputação de membros. “Se olharmos para a perda da força produtiva dos acidentados, é um peso para o Estado”, afirma Rosseto. O médico alerta para o crescimento das vítimas de atropelamentos por ciclistas principalmente no centro da capital paulista, inclusive em ciclovias. A criação de espaços para a circulação de bicicletas é positiva, na visão dos debatedores, mas deve vir acompanhada de orientação para a população. Para Silvia Maria Lisboa, coordenadora do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, as políticas públicas deveriam levar mais em conta pedestres e veículos não motorizados. Segundo ela, hoje essas ações estão mais concentradas nos carros. Conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção de acidentes é outro caminho apontado por Silvia para a redução de acidentes. “A fiscalização já é dura. O que é preciso é avançar na educação. O pedestre é o agente principal. O motorista imprudente hoje é um possível pedestre acidentado amanhã.” O uso do telefone no volante também é visto pelos especialistas como uma das principais causas de acidentes atualmente. Ainda não há dados disponíveis sobre acidentes provocados pelo uso dos aparelhos, mas, de acordo com Silvia, até o fim do ano eles devem ser publicados pelo Infosiga, sistema de informações gerenciais de acidentes de trânsito no estado de São Paulo.
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