Após arrastões, zona boêmia de SP aciona polícia por Copa sem roubos

THIAGO AMÂNCIO SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) • 11/06/2018 18:47:00

Uma sequência de pelo menos três arrastões em 15 dias em restaurantes da Vila Madalena e Pinheiros, na zona oeste de SP, pôs em alerta proprietários de estabelecimentos e associação de moradores da região e lançou uma preocupação: como garantir a segurança em tempos de Copa do Mundo, quando ficam lotados os bares e ruas da conhecida zona boêmia paulistana. É o que diz Giovanni Pasquale, da Savima (Sociedade dos Amigos da Vila Madalena). "A gente está na delegacia sempre, conversando por Whatsapp com delegado, eu reuniões com policiais, para evitar problemas durante a Copa. Na Copa, ficamos muito visados", afirma. Na última quarta-feira (6), três homens armados entraram no restaurante chinês Cha Yê!, na rua Fradique Coutinho, depois das 23h, e levaram bolsas, celulares e carteiras dos clientes, além do dinheiro do caixa. Um dos assaltantes deixou munição cair no chão, que foi apreendida e encaminhada para perícia, segundo registro do crime, cuja investigação ficou a cargo do 14º Distrito Policial (Pinheiros). A delegacia investiga outros dois crimes similares nas redondezas semanas antes.  Um deles foi no bar Boca de Ouro, na Cônego Eugênio Leite, em 22 de maio, uma terça-feira. Por volta das 22h45, também três homens armados entraram no local e roubaram carteiras e celulares. Arnaldo Hirai, um dos sócios do Boca de Ouro, conta que contratou segurança particular e instalou câmeras de segurança, mas que a rotina segue normal e o bar não deixou de abrir. "A gente nunca teve nenhum tipo de problema antes nem recebemos qualquer ameaça depois", diz. Na semana seguinte foi a vez do restaurante Mensa, na rua Wisard, em 29 de maio, também uma terça-feira, quando quatro homens entraram no estabelecimento por volta das 21h, ordenaram que todos deitassem no chão e colocassem bens de valor em cima das mesas, fugindo em seguida. Procurados, os donos do Mensa e do Cha Yê! não quiseram se manifestar. Titular do 14ºDP, o delegado Roberto Krasovic diz que "a Polícia Civil está atenta e os casos estão sob investigação". Ele pede que as pessoas não deixem de registrar caso sejam vítimas de crimes e confirma que bares e restaurantes têm se reunido com a polícia para discutir o combate à criminalidade. "É como roubar em um ponto de ônibus", diz um policial à reportagem. "Os ladrões sabem que tem gente ali com carteira e celular no bolso, que não têm como fugir nem chamar a polícia", afirma. Todos, desde polícia e associação de moradores até, principalmente, donos de restaurantes, preocupam-se em minimizar a situação, que tende a provocar queda no número de clientes. "Ninguém acredita que seja uma nova tendência ou uma nova onda de crimes", diz Giovanni Pasquale, da Savima. "São casos isolados". Crimes como esse não aconteciam há anos, diz a Polícia Civil, mas assustaram regiões nobres e restaurantes conhecidos da capital entre 2011 e 2013. Na época, o policiamento foi reforçado e bares e restaurantes contrataram vigias e instalaram sistemas de monitoramento. É o caso do My Temaki, no Itaim Bibi, alvo de um arrastão em 2012, que instalou alarmes e câmeras de vigilância na época da onda de crimes. "As câmeras continuam, mas não tivemos mais sustos do tipo", diz a gerente do restaurante, Joyce Ane. Questionada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo não se manifestou até a publicação deste texto.
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