Vício em séries empobrece laços sociais, alerta psicóloga

SANDRA PRATA • 07/11/2018 09:45:00

O streaming de séries e filmes, mais conhecido como Netflix, é popular entre os jovens. Porém, segundo a psicóloga clínica, Cláudia Neves Marsola, os conteúdos oferecidos possuem um lado bom e um ruim para serem analisados, já que a internet, no geral, possibilita uma vasta coleção de conhecimentos, porém, o consumo excessivo acarreta outros problemas. E o principal fator que, na maioria das vezes, propicia esse o vício é a vida moderna na qual as gerações estão inseridas. Em um cenário de pais que trabalham fora, os jovens buscam alternativas na tecnologia para preencher a rotina. Situação que, conforme a especialista, se potencializa dos 12 aos 17 anos.

De acordo com Cláudia, isso cria gerações ansiosas e com necessidade de constante aprovação. “Começam a comparar a própria vida com aquela que estão vendo nos seriados e começam a ter certa cobrança com a realidade”, expõe. Ela explica que, desta forma, se tornam menos suscetíveis a repressões e correções por parte dos pais. “Ficam insatisfeitos com isso e acabam vendo na série uma válvula de escape, mergulham em outro mundo na proposta de esquecer os problemas e a realidade”, explana. A consequência disso, conforme expõe, são relações sociais prejudicadas. “A pessoa deixa de se relacionar com amigos, família, para ficar imersa em algo irreal”, pontua.

PRÓS E CONTRAS

De acordo com a psicopedagoga Viviane de Albuquerque Franco, as séries podem ser uma ótima fonte de aprendizagem, porém, tudo vai depender da trama. “Tudo que envolve uma história longa com desdobramentos, proporciona o incentivo de habilidades como senso crítico e análise de observação”, expõe. Porém, explica que deve haver um monitoramento constante por parte dos responsáveis para que o hábito não substitua o ensino tradicional. “O ideal é estimular os jovens a fazerem uma coisa de cada vez, ver um episódio por dia, por exemplo, e não uma maratona de um dia inteiro. Tudo em excesso é prejudicial”, alerta.

CONTEXTO

De acordo com pesquisa de 2016 da TIC Kids, 80% da população brasileira de 9 a 17 anos utilizam a internet. Do total, 66% se conectam mais que uma vez por dia, percentual maior que em 2014, quando registrava 21%. Ainda conforme o estudo, os que mais navegam mais de uma vez diariamente são os jovens de 15 a 17 anos, que representam 77% do total. As classes A e B também são as mais conectadas, com percentual de 75%, enquanto a D e E marcam 49%. 

Perfil

                                                                             Cedida

Nome: João Victor Martins Lima

Idade: 20 anos

Curso: Comunicação Social – Jornalismo

Escola: Unoeste (Universidade do Oeste Paulista)

Coleção: Cerca de 50 séries

Imparcial: Quando e como surgiu sua paixão por seriados?

João Victor: Comecei a assistir bastante em 2016, mas, antes disso, com uns 15 anos, eu já assistia algumas, poucas, que passavam na televisão. E lembro que me apaixonei pela primeira série que comecei a ver, Glee, que é um musical jovem. Mas ser viciado mesmo foi só quando comecei a ter acesso à Netflix, que comecei a ver muitas outras.

Qual sua série preferida, por quê?

Nossa, tenho muitas, porque já assisti tantas. Mas se for classificar, acredito que as preferidas sejam Glee e Friends. A primeira eu assisto desde o início, me ensinou muito na adolescência, tratava de muitos problemas que eu também passava na época. Me ajudou muito a superar isso e sou muito grato a tudo que a série me ensinou. Foi com Glee também que conheci muitas músicas e pude ampliar minha playlist. Já Friends eu assisti neste ano ainda, é uma série de comédia e todo mundo deveria assistir, traz reflexões da vida adulta de uma forma leve. Com ela aprendi muito sobre amizades, abriu minha mente em vários aspectos. Assim como Glee me trouxe ensinamentos da adolescência, Friends me trouxe da vida adulta.

Qual principal aprendizado para sua vida absorveu com as séries?

Toda série, independente do gênero, sempre traz um ensinamento e uma mensagem por trás, isso que é legal, fazer algo por hobby, mas que aborda temas sérios, coisas boas, traz visões de mundo. Aprendi sobre superação, amizade, respeitar o próximo, amor próprio, não consigo lembrar de tudo, mas grande parte das minhas perspectivas de mundo foram as séries que me ajudaram a formar. Sempre tento aplicar isso na minha vida, comigo mesmo, minha família, meus amigos, pessoas que convivem comigo, acho muito importante compartilhar isso.

Como concilia com a rotina na faculdade?

Eu consigo ver série e estudar sem problema nenhum. Eu sei respeitar, coloco meus estudos em primeiro lugar, só assisto mesmo quando estou desocupado. Eu costumo ver muito quando estou dentro do ônibus indo e voltando da faculdade e nos finais de semana. Quando não tenho trabalhos, gosto de “maratonar”.

Você tem um blog sobre séries, o Cineteca, como ele funciona?

Criei esse blog com duas amigas, a Brenda e a Janaína. Inicialmente era um trabalho da faculdade no qual tínhamos que criar um blog e alimentá-lo com conteúdo. Como nós três somos apaixonados por séries, tivemos a ideia de fazer um com essa temática. Fazíamos duas postagens por semana com resenhas e críticas sobre alguma série que tivéssemos assistidos e que achávamos que nosso público iria gostar. Hoje, por causa da correria, estamos com o blog parado, mas nossa intenção é voltar ainda.

Qual série todo jovem deveria assistir?

Glee. É uma série leve, tem música, e que jovem não gosta de música? Além disso, traz muitos ensinamentos, lições e visões de vida. Outra série que eu recomendo para jovens, principalmente mulheres, é The Handmaid’s Tale por causa do cenário político atual, é uma série que traz uma boa reflexão sobre o assunto.

DICAS DE SÉRIES

Anne with an E (2017)

                                                                       Divulgação

Atualmente com duas temporadas e a terceira com estreia para 2019, a série original da Netflix traz a história de Amybeth McNulty e suas aventuras na casa da família Green Gables. O enredo começa com a chegada da jovem órfã à residência dos irmãos Green Gables. Eles haviam solicitado ao serviço de assistência um menino para ajudar nas tarefas do sítio, porém, por engano, enviam Anne. A jovem alegre e tagarela desperta os olhares por onde passa, sempre vítima de comentários maldosos devido a sua aparência magricela e com os cabelos laranja. Ela busca todos os dias conseguir a aprovação dos novos “pais” e encontrar seu lugar no mundo. Uma história para quem tem imaginação fértil, gosta de viajar dentro de uma narrativa, de refletir sobre a vida e as voltas que ela dá.

Atypical (2017)

                                                                      Divulgação

A trama da Netflix, dividida em duas temporadas, é uma das provas de que séries podem trazer alguns ensinamentos e conhecimentos para a vida. Podendo ser classificada como uma comédia familiar, o seriado traz a história de Sam, um adolescente autista que com o apoio da família tenta se socializar da melhor forma possível. A série é, para muitos críticos do gênero, um ótimo programa para aqueles dias em que você quer se sentir bem e confortável. A verdadeira “comfort serie”. Além disso, traz diversos dramas sociais relacionados ao preconceito e à falta de preparo do coletivo para lidar com algo que está presente entre nós, o espectro do autismo.

O Mundo Sombrio de Sabrina (2018)

                                                                      Divulgação

Estreando neste ano, O Mundo Sombrio de Sabrina já caiu nas graças dos “seriadores” de plantão. A história, diferente das outras duas, não traz grandes mensagens, é mais focada na diversão, fantasia e imaginação. Tem como tema central a história da famosa bruxinha Sabrina, que agora deve escolher entre o mundo mortal e o mundo mágico. Cercada de dúvidas e uma tia controladora, a jovem não sabe como fazer para desfrutar um pouco dos dois mundos. Com uma pitada de terror e drama, a série prende qualquer um que goste de um bom suspense e boa música.

AGENDA

Peça de teatro – Imortais

Data: Sexta-feira

Local: Centro Cultural Matarazzo

Endereço: Rua Quintino Bocaiúva – 749 – Vila Marcondes 

Telefone: 3226-3399

Horário: 20h

Preço: Gratuito

Atividade: Uma mulher, desenganada com a vida e doente, decide passar os últimos momentos ao lado do falecido marido no cemitério. A trama aborda o dilema de não ter um único parente para realizar o ritual fúnebre da “coberta da alma”.

Peça de teatro – Terremota

Data: Domingo

Local: Área de Convivência do Sesc Thermas

Endereço: Rua Alberto Peters, 111 - Jardim das Rosas

Telefone: 3226-0400

Horário: 15h

Preço: Gratuito

Atividade: Maria é uma menina esperta que mora com o tio e com um gato de estimação. Seu passatempo preferido é observar o mundo pela janela, até que ela inventa um outro mundo na sala de casa, a República Terremota.

Peça de teatro – Preto

Data: 14 e 15 de novembro

Local: Bosque do Sesc Thermas

Endereço: Rua Alberto Peters, 111 - Jardim das Rosas

Telefone: 3226-0400

Horário: 20h

Preço: Gratuito

Atividade: A peça traz uma trama que investiga sobre o que gera recusa das diferenças na sociedade, principalmente sobre as possibilidades de coexistência e campos de interação entre as diferenças.

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