VIVAS LEMBRANÇAS NA EMOÇÃO DE UMA COPA DO MUNDO

Charanga Domingueira • 08/07/2018 06:00:00

A cidade de Middelsbrough fica a 400 quilômetros ao norte de Londres, a capital inglesa. Foi ali que se escreveu uma das histórias mais marcantes do futebol. Estou me lembrando da mesma quando vejo o sofrimento da Bélgica diante dos japoneses. O fato que recordo neste momento foi a vitória da Coréia do Norte, já na época uma ditadura da qual o mundo nada sabia, sobre a Itália, a orgulhosa Itália, uma das favoritas da competição e que foi recebida a tomates na volta para casa.

A Coréia do Norte, depois, já na etapa seguinte, esteve ganhando de Portugal por 3 a 0 e no final caiu por 5 a 3 naquela jornada onde Portugal, com Eusébio, teve a sua melhor trajetória numa Copa do Mundo. A Bélgica se viu diante de um Japão que aprendeu a jogar futebol. Fez o básico com o brasileiro Ruy Ramos e o colegial com Zico. Em futuro próximo farão mestrado e doutorado. Conto outra para mostrar como eles são disciplinados e objetivos. Chegaram até as oitavas pelo fair-play, que define a educação desse povo extraordinário.

Vivia meus 10 anos e cursava uma escola rural numa região onde só havia japoneses. Na classe éramos 72 e brasileiros mesmo a professora, dona Otília, e o menino aqui. Setenta representantes do país do sol nascente, nisseis, todos. Cismei de ensinar futebol aos mesmos e construímos um campinho. Em pouco tempo eles demonstraram rapidez no aprendizado. Até driblar já conseguiam quando deixei o local. Em tempos de Copa do Mundo e com os jogadores de futebol atingindo culminâncias antes vividas apenas por astros de Hollywood, conto outra.

A Rádio Prudente era conhecida apenas como ZYR-84 e ficava na Maffei, nos altos da Livraria do Godoy e do Isidoro. Uma longa escada levava ao palco e ao auditório. Como era verão e quem é de Prudente sabe até onde vai o mercúrio num fim de ano, Yvette Pinheiro fazia no palco, sentadinha, sozinha, o seu “Histórias da Fadinha”, de grande audiência, sucesso infantil. Era comum que algumas crianças ocupassem algumas poltronas no pequeno auditório, mas adultos, jamais. Foi o que a assustou quando viu a chegada de três senhores, na verdade três jovens que se sentaram na primeira fila e ficaram na escuta. Num intervalo Yvette dirigiu-se aos mesmos, pois estranhava tal presença em um programa infantil.

É preciso dizer que o Santos jogaria no dia seguinte um amistoso com a Prudentina (3 a 3) e um deles se apresentou: “Estávamos passeando pela rua, vimos a placa da rádio e subimos. Eu sou o Zito, este é o Pelé e aquele é o Pepe”, e foi fazendo as apresentações. Yvette nada sabia de futebol, mas sabia do jogo e daqueles nomes que na época já eram recentes campeões do mundo. Chamou-os e fez com os mesmos uma entrevista em que não se falou de futebol. Na saída Zito falou com Pelé: “Não vai se despedir da mocinha?” O futuro rei do futebol beijou-lhe a mão (tinham a mesma idade) e lá se foram três campeões do Mundo passear pelas ruas de Prudente. Voltemos ao presente. Imaginaram se isso seria possível hoje ?!.

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