Um mundo em (in/e) volução

Charanga Domingueira • 21/05/2018 08:40:56

Já estão sendo divulgadas na nossa imprensa diária as profissões ou atividades que mais serão ameaçadas quando os robôs tomarem conta da vida em nosso planetinha, um dos menores dentre as imensas constelações abrigadas num universo que ninguém sabe onde começa e nem onde termina. Haja Stephen Hawking para tanto. Isto já está acontecendo em países mais evoluídos, o chamado primeiro mundo, Estados Unidos, França, Suécia, Noruega e outros privilegiados. Interessante unirmos os fatos e constatarmos algumas flagrantes incoerências que se registram na voragem dos anos e no costume dos povos.

Em Bangladesh, na Ásia, país paupérrimo de quase 200 milhões habitantes e que surgiu quando da libertação da Índia do domínio inglês juntamente com o nascimento do Paquistão ainda existe a profissão do limpador de orelhas. É um país muçulmano e em suas mesquitas existe a exigência de que os fieis só entrem com orelhas limpas. Um cidadão de origem bastante humilde, como praticamente todo mundo por ali, percorre as ruas de Daca, a Capital do país com escovas, álcool, algodão e apetrechos para limpar as orelhas dos interessados. Imaginem agora o que acontecerá em 20 ou 30 anos? Não mais teremos gente trabalhando em telemarketing, costureiras manuais, vendedores de seguros, relojoeiros, cabeleireiros, contadores, reveladores de fotografias, bibliotecários, gerente de contas... e muito mais, mas muito mesmo.

Praticamente todas as profissões ou atividades vigentes na atualidade. Pois se até os autos estarão sendo movimentados em trânsitos apertadíssimos sem necessidade de motorista?! Algumas dessas atividades já estão sendo executadas pelos robôs enquanto ainda existe o limpador de orelhas num contraste extraordinário. Em 50 anos nem médicos existirão mais. Quando muito alguns grupos de conselheiros a trocar ideias que serão incorporadas aos robôs em construção. Tudo será automatizado e feito por aparelhos de precisão. Será melhor o mundo do futuro? Olha, eu prefiro este em que nós estamos. Nesse aspecto creio que nasci até um pouco atrasado já que na verdade gostaria de ter vivido na chamada “belle epoque”.

Entre as valsas de Strauss e os noturnos de Chopin em contraste com o “heave-metal” que tomou conta da juventude de hoje fico mesmo é com os Bosques de Viena e com os azuis do Danúbio. E só lamento que muitas dessas profissões já tenham deixado de existir. Como é mesmo o ditado? Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso. E o mundo gira e a Lusitana continuará rodando? Daqui a 20 anos? Quem viver, verá!

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