Festa Junina, crianças, tradições, valores e vida!

Papai Educa • 17/06/2018 08:00:00

O pátio estava todo decorado de bandeirinhas feitas de papel de seda colorido. Galhos de bambu seco fixados nos pilares e paredes traziam também outros feitos, como balões e personagens que remetiam à festa na roça. Nos pés, uma bota para compor o traje que vinha seguido de calça jeans remendada nos joelhos, camisa xadrez e chapéu de palha. Ao meu lado, a colega de sala, Luciana, parceira da tradicional quadrilha, também não poupou na caracterização, com vestido de chita e pintinha no rosto. Das poucas lembranças que tenho desta época, a Festa Junina no pré-escolar da tia Hellen Garrio é uma das mais saudosas.

Em todos os anos, não limitei a participação nas danças típicas de junho realizadas durante a fase escolar. Na memória, lances dos preparativos em casa, com a costura dos remendos pela minha mãe e o envio ao transporte escolar de bigodinho, costeleta e barba feitos de lápis de olho. A recomendação era não encostar o rosto em nada para que não borrasse todo aquele trabalho artístico. Sim, pura arte, das mais românticas, livre de quaisquer convenções acadêmicas... Nos ambientes festivos, barracas de pescaria, do beijo e forró… Ah, tinha correio elegante, pau-de-sebo e cadeia também! Isso sem contar os estalos (estrelinha, peido-de-véia ou traque de massa) que tornavam a brincadeira ainda mais gostosa.

Os anos se passaram, mas a tradição nunca deixou de ser uma realidade na minha vida. Entre os amigos e família, esta época do ano já me traz ao paladar os sabores dos pratos típicos. Bolo, pipoca, amendoim, milho verde, paçoca, pé de moleque, arroz doce, canjica, batata-doce assada na fogueira e quentão! Hummmm! Salivei! Não só pelos quitutes e bebida, mas pela festança boa que isso dá. E quando sinto o cheiro do cachorro-quente, eu volto lá no pré-escolar!

Meus filhos, João Guilherme e João Rafael, vivem esta experiência desde o nascimento. Dentro e fora do ambiente escolar, meu primogênito aguarda ansioso pelos festejos que lembram os três santos populares do mês - Antônio, João e Pedro. Caracterizados de caipiras, os meninos presenciam cooperativismo nas festas, voluntariado na produção dos pratos, na construção da fogueira e das ornamentações… As festas, sempre cobertas de dança, música e muita alegria!

Ah, junho, como é bem-vindo! Quantos valores e oportunidades de integração nos entrega! Com ele, o respeito às tradições e valorização da cultura regional, aquela que é patrimônio de nosso povo e traz embutida formas de expressão distintas para cada localidade, porém com a mesma essência: a festa na roça, onde se origina boa parte do nosso sustento por meio das mãos do homem do campo.

Assim, entre as gerações, é nosso papel como pais garantir que os costumes, quais forem nas regiões em que habitamos, sigam valorizados, sejam orgulho para nossa gente e tenham seus devidos créditos preservados. Às crianças, imaginação e criatividade não faltam. No futuro, memórias de vivências, sensações, sabores e aromas. O arraial é raiz, tradição, cultura, emoção. É vida!

Leandro Nigre é pai, jornalista, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe do jornal O Imparcial, e idealizador do projeto Papai Educa www.papaieduca.com.br. Contato: papaieduca@gmail.com

dicas de leitura

Fotos: Divulgação

RIMAS JUNINAS

Rimas Juninas

Escrito em versos de cordel, o livro apresenta aos pequenos diversos elementos que compõem as festas de junho, como o casamento e a quadrilha, o correio elegante, as brincadeiras e os quitutes típicos, e percorre os seus significados, curiosidades, entre outros. O autor aborda como essa festa começou, propõe a descoberta desse universo das tradições caipiras por meio de variadas abordagens linguísticas, como poemas, receitas culinárias e textos de teatro, que tornam a leitura acessível e prazerosa. A obra é indicada para leitores a partir dos 8 anos.

Autor: César Obeid
Editora: Moderna 
Páginas: 56
Preço: R$ 46

CHORO E MÚSICA CAIPIRA
Choro e música

A obra traz para o universo das crianças dois gêneros musicais que, atualmente, são menos conhecidos, mas que carregam em si costumes e tradições genuinamente brasileiros. O choro representa o mundo urbano e o momento da modernização das cidades, e a música caipira o mundo rural e o êxodo do campo para as cidades. Neste livro, os leitores conhecerão a história desses dois estilos musicais, seus principais representantes, suas tradições e trajetórias. E, com a leitura, identificarão elementos que compõem o cenário do campo e os valores do mundo caipira, como as brincadeiras de roda, a Ave Maria das seis horas, as histórias contadas pelos mais velhos e outros.

Autor: Carla Gullo, Rita Gullo e Camilo Vannuch
Editora: Moderna
Páginas: 64
Preço: R$ 39,90

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