Desacelera, vai dar tempo!

Papai Educa • 16/04/2018 08:27:31

. Foto: Arquivo Pessoal

“Não corre assim que você cai!”. Demorei muito para compreender que a frase tão ecoada na minha infância só pretendia me desacelerar… E reconheço que, em muitas vezes, repito o mesmo comportamento na vida adulta e, se perco o domínio, corro o risco de carregar as crianças na mesma velocidade da minha rotina. Temos horário para tudo, todos os dias da semana, em compromissos sociais, familiares, profissionais… Precisamos de agenda até para cuidar das nossas emoções, silenciar e estacionar os “desenfreios” deste turbilhão de coisas a fazer... Onde foi parar o tempo? Parece que ele não está a nosso favor! Será?

Basta olhar ao redor. No dia a dia, os relatos de cansaço, de estafa emocional e de sobrecargas são cada vez mais constantes. A democratização da informação, o alto fluxo de conteúdo e as influências geraram impacto na vida das famílias. Todo mundo quer fazer de tudo um pouco. Basta identificar qualquer grau de interesse no que o outro faz.

E neste cenário onde a grama do vizinho é mais verde, os olhos são direcionados para o lado errado enquanto o cultivo do próprio jardim fica à espera de mais zelo, dedicação e tempo. Será que, em algum momento, alguém disse que daria para abraçar o mundo? Ninguém dá conta de fazer tudo ao mesmo tempo e garantir qualidade nestas demandas. É necessário foco!

No campo familiar, nos deparamos com o “ter” sobrepondo o “ser” em muitas decisões e comportamentos egoístas diante de pequenos seres que clamam por tempo. Tudo pode esperar… Eles não! É nítido o quanto as crianças têm sido aceleradas desde o amanhecer, com os horários, tarefas escolares e todas as atividades extraclasses que são forçadas ou, muitas vezes, se dispõem a executar, pois há referências em seu ciclo de amizade. São aulas de artes, esportes, música, dança, idiomas… Humanos-robôs, presos à rotina maluca, sobrecarregados de responsabilidades, ansiosos ou até mesmo depressivos por não darem conta de tudo… Pequenos já abastecidos de dificuldades em lidar com suas frustrações, com problemas de comportamento, pois cobram de si e do próximo a perfeição e a capacidade de ter tudo sob controle. Muitos à mercê da ausência de planejamento do tempo pelos pais.

Neste desconforto da infância, há crianças que se tornaram miniadultos e são cobradas como tal. Estão em conflito direto com a autoestima e com o estresse das atividades obrigatórias no momento em que vivem pleno desenvolvimento físico, afetivo/emocional e social. Humanos, desde que nascem, preparados para se tornarem bem-sucedidos profissionalmente e não para serem felizes. Isso sem contar a clausura a que são submetidos, forçados pela violência a qual tanto teme a sociedade de bem.

No mercado, não diferente, vende-se a imagem do trabalhador perfeito, multitarefa, capaz de desenvolver qualquer atividade num piscar de olhos e que esteja à disposição sem pausa para descanso. Querem o jovem capacitado em poucos dias, como se fosse veterano na função. E, ainda, aplica-se a regra de que é preciso “ganhar dinheiro” já no início da carreira, trabalhar exaustivas horas para, quem sabe, na velhice usufruir ou gastar tudo o que se conquistou com medicamentos para curar uma vida não vivida. Creia, o suficiente basta! E tudo que vier a mais é lucro.

Pouco se pensa no tempo de ser criança, em se divertir, descansar, brincar, correr ou mesmo não fazer nada! Fantasias e sonhos viraram metas. Está tudo acelerado demais e não fazer nada pode ser fazer tudo. Tirar o pé do acelerador da rotina, experimentar mais o toque, o carinho, o abraço, a conexão no olhar, o diálogo, o caminho… Não espere as férias familiares para tornar o dia a dia mais leve. Planeje, otimize e organize o tempo àqueles que realmente necessitam dele. Peça ajuda quando preciso. Não há nenhum sinal de fracasso nisso.

Não somos robôs e devemos reconhecer a responsabilidade sobre a própria vida e daqueles que ainda são dependentes. Devagar, sem pressa, não corra, pare, respire… Reclame menos! Tudo faz parte das nossas escolhas! O melhor da vida, que é ela mesma, o dinheiro não compra! Priorize. E, se pudesse dar a você um conselho que tenho dito diariamente a mim mesmo, seria: desacelera, vai dar tempo!

 

dica de leitura

O Pequeno Príncipe

Foto: Divulgação

O clássico, a principal obra do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry publicado pela primeira vez em 1943, chegou aos 75 anos em 6 de abril, e atualmente ocupa o posto de terceiro livro mais traduzido do mundo, e um dos mais vendidos de todo o planeta. A Edipro, editora especializada em clássicos literários, produziu uma versão para a obra: novos projetos gráfico e editorial e a arte na capa dura do livro.

 

Ficha técnica

Tradução: Isolina Bresolin Vianna

Editora: Edipro

Páginas: 98

Preço: R$ 29,90

 

5 ensinamentos de O Pequeno Príncipe

1- “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso”

Uma das maiores metáforas da vida. Quando crianças, as pessoas sonham em ser tudo aquilo que a imaginação permitir, talvez mais além; querem viajar, conhecer novos lugares e fazer amizades. Mas depois que chegam na fase adulta, pouco podem aproveitar as fantasias e tudo é esquecido pela falta de tempo. No final dos contratempos, ou falta deles, esquecem que na verdade são as mesmas, mas que apenas aumentaram de tamanho, e ainda podem realizar tudo aquilo que um dia imaginaram.

 

2 - “As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes”

Alguns presidentes deveriam ler essa frase, não? As pessoas se preocupam cada vez mais com o próprio nariz e ter o melhor somente em benefício de si mesmas, e esquecem que, de nada vale ter tudo se não sobrar nada ao redor. Se elas se preocupassem mais em “construir pontes” para partilhar seus aprendizados e conquistas, o mundo seria um lugar melhor, pois juntas são mais fortes!

 

3 - “É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou”

Não é proveitoso generalizar ou julgar alguém por algo que ocorreu. As pessoas mudam e ninguém é igual a ninguém, isso é a graça da vida. Todos têm valores, conhecimentos e culturas diferentes, e não se deve fechar as portas para aquilo que, à primeira vista, parece não ser bom. O melhor é criar ligações para participar da vida do outro e permanecer em equilíbrio.

 

4 - “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

Aquilo que uma pessoa faz é responsabilidade dela. Tudo o que pratica se deve a ela e a mais ninguém. É preciso lembrar que as atitudes mostram o caráter. Para conquistar alguém, é necessário revelar a verdadeira essência, sem nenhuma máscara ou personagem. Quando se cativa o outro, é indispensável cuidar daquilo que plantou por toda a vida. Seja em relacionamentos, conquistas ou em pequenas coisas... Atitude que, para quem recebe, pode ter um valor especial. Cativar, cultivar e zelar.

 

5 - “Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê verdadeiramente com o coração. O essencial é invisível aos olhos”

Provavelmente essa seja a citação mais conhecida e a mais verdadeira. O melhor de um amor, de uma viagem, de um momento, de um presente, por exemplo, não é aquilo que ele transmite aos outros, não é o valor material que agrega, mas o que mais toca o coração. Amores não são mais verdadeiros quando se está em um relacionamento sério no Facebook, viagens não se tornam mais incríveis pelo número de likes no Instagram, amizade verdadeira não se define ao número de pessoas que se tem no WhatsApp. Vivemos em tempos que o “ter” é mais importante do que o “ser”, mas o essencial se guarda dentro das pessoas e não em números.

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