COPA DA RÚSSIA: DA GUERRA FRIA A UM MUNDO DE PAZ

Charanga Domingueira • 17/06/2018 06:11:00

Era comum em meu período de atividade profissional ao microfone que marcássemos o tempo pelas Copas do Mundo. Ao terminar uma começávamos a marcar o período que faltava para a seguinte. Iniciou-se na quinta-feira na Rússia mais uma Copa do Mundo. É a 21ª desde que o presidente da Fifa, Jules Rimet, um francês, conseguiu realizar o sonho de unir o planeta em torno de uma disputa futebolística. Num período entre guerras a Copa viria como um chamado à paz. Mas, não o conseguiu.

A Copa do Mundo nasceu em verdade, nos planos diretivos, desde o nascimento da Fifa. No início do século passado foram executados os primeiros planos. Mas, somente em 1930 a ideia ganhou forma. Pequena, humilde, a primeira Copa foi realizada no Uruguai. O pequeno país sul-americano era o vencedor do futebol das duas últimas olimpíadas (1924/28) e ainda com o acréscimo de uma Europa recuperando-se de um conflito mundial tornou-se quase que automaticamente a sede da competição.

Aconteceram tantas coisas ao longo desses anos, a Copa não conseguiu superar seu objetivo principal, evitar as guerras, tanto que esteve paralisada e não houve disputa nos anos de 1942 e 46. Mas, uma Copa do Mundo de futebol será sempre um motivo de atração. Supera em interesse popular até as Olimpíadas.

Mais de duas centenas de países buscam disputá-la, mesmo que só 32 o consigam. E desses 32 países presentes somente 8 são campeões mundiais. O Brasil lidera com 5 conquistas seguido de Alemanha e Itália com 4. Uruguai 2, Argentina, 2, Inglaterra, França e Espanha completam a lista. Repito que a Copa do Mundo é um evento para alicerçar a paz mundial.

Mesmo convivendo com um mundo onde a bola esconde os canhões. Que a Copa da Rússia alicerce a paz no mundo entre os homens. O esporte tem dado exemplos de como pode dar seu quinhão para tanto. No seu âmago ele serve para ilustrar as diferenças ocorridas no planeta nestes 78 anos de Copas do Mundo.

Em 1930 as noticias sobre a Copa do Mundo que foi ali no Uruguai chegaram ao Brasil através do noticiário de agências informativas. Em 1938 pela primeira vez um jornalista brasileiro se fez presente. Gagliano Neto era o seu nome. Hoje, podemos dizer que a imprensa esportiva brasileira está toda na Rússia.

E como se trata de um país com uma imensa tradição cultural os fatos se misturam e a Copa oferece imenso material. Quem sabe o mundo ainda verá uma multidão como essa que se reúne na praça Vermelha festejando o dia em que os homens se entenderam de forma definitiva. O futebol leva ao sonho e não custa nada sonhar.

 

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