Brasileiros no apito em finais de copas

Charanga Domingueira • 04/06/2018 08:35:43

Li recentemente uma entrevista bastante ampla do antigo árbitro Romualdo Arpi Filho, que mora na cidade de Santos. Romualdo está com 78 anos e foi um dos nossos melhores apitadores. Era considerado por Armando Marques como tecnicamente o nosso melhor juiz de futebol. Romualdo tinha mais prestígio fora do Brasil e era sempre escalado para apitar na Copa Libertadores. Repito que era muito mais respeitado fora do Brasil do que por aqui. Confirmando que ninguém é profeta em sua casa. Vi Romualdo começar a apitar ainda menino e o acompanhei até o encerramento de sua carreira. Entretanto, perdemos contato depois disso e fiquei feliz em saber que o “magrinho elétrico” está bem, firme e forte sem sentir o peso dos anos.

O ponto alto de Romualdo Arpi Filho foi apitar a final da Copa do Mundo de 1986 entre Argentina e Alemanha, no México. Por sinal que ainda me lembro ter ele mostrado cartão amarelo para Maradona nessa partida em que  teve uma atuação de alto nível dignificando a arbitragem brasileira de então. Na Copa anterior também o árbitro fora brasileiro, o carioca Arnaldo Cesar Coelho, hoje comentarista da Globo e que se saiu esplendidamente na condução de Itália x Alemanha, final da Copa de 1982. Depois de Romualdo em 1986 os árbitros brasileiros nunca mais foram escalados para partidas das mais importantes nas Copas do Mundo. Mas, o que mais gostei na entrevista de Romualdo Arpi Filho foi a sua condenação ao sistema de arbitragem eletrônica. Para ele o árbitro tem que comandar o espetáculo e assumir o comando da arbitragem.

Auxiliar é para auxiliar e nenhum ser humano pode ser juiz de futebol pela televisão. Romualdo disse também que jamais aceitou ser comentarista de televisão exatamente porque estes comentam fora do estádio e depois de verem repetidamente os replays dos lances complicados. Juiz de futebol, para Romualdo, tem que estar no campo e ver tudo o que ali se desenrola durante uma partida. Estou com ele. Futebol é um jogo de humanos para humanos e deve ser dirigido por humanos. O que muito me preocupa é o fato das arbitragens terem regredido nestes últimos anos e estarmos às vésperas de uma Copa do Mundo e sabermos que os apitadores se entregaram ao mundo da tecnologia eletrônica.

Isso tem um significado que nos remete à certeza de piora no padrão de arbitragens individuais. Ao invés de uma busca de aprimoramento os árbitros estarão isentos de maior responsabilidade já que o juiz da tevê será o responsável para sanar possíveis dúvidas. Há quanto tempo não temos árbitros do valor de um Roberto Goicochea, de um Pierluigi Colina ou mesmo dos nossos Arnaldos e Romualdos?  

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