A privacidade do meu filho

Papai Educa • 28/08/2017 12:49:24

Você já ridicularizou seu filho na frente dos outros? Talvez sim e nem tenha percebido! Revelar a terceiros seus erros, dificuldades, limitações no desenvolvimento e comportamento, compará-lo a outra criança e corrigi-lo em voz alta em público, por exemplo, são meios de exposição. Quem nunca? Às vezes isso acontece de forma natural, no sentido de compartilhar experiências com quem vive ou viveu fases semelhantes ou mesmo para justificar a atitude do pequeno. Mas qual o limite da privacidade? Se eu estivesse no lugar dele até onde gostaria que meus pais fossem?

Nos primeiros anos de vida, a criança é, em sua maioria, dependente do adulto. Sua intimidade está nas mãos de quem a cria, educa e participa ativamente de sua rotina. Os cuidados com a higiene, alimentação, bem como com a saúde emocional permanecem sob controle dos pais até que, com o tempo, a independência seja adquirida.

Cada ser humano é único e precisa ser tratado como tal. Nenhuma criança é igual a outra e compará-la com as demais pode fazê-la sentir-se rejeitada, cobrada pelos pais para que seja cópia de alguém que não é semelhante a ela. A relação paterno/materno/filial neste sentido deve ser equilibrada, uma vez que muitos danos nas experiências vivenciais são carregados por toda vida e, talvez, impactem diretamente em seus sentimentos.

Parta para a disciplina positiva. Enalteça as qualidades e não os defeitos, sobretudo em público. Carregamos ambos e nem sempre nos orgulhamos das falhas que cometemos, mas buscamos o reconhecimento daquilo que fazemos bem. E, a partir do momento que tornamos público os nossos comportamentos e das nossas crianças, ofertamos a estes ouvintes a possibilidade de julgamento, na nossa presença ou não.

A linha entre a permissividade e a autoridade precisa ser muito bem definida no campo familiar. O excesso em ambos os casos é prejudicial. Os pais são referência, um norte a ser seguido, aqueles que garantem noções de comportamento social e a falta desta bússola aos pequenos faz com que eles passem a ter controle de suas decisões, sem um exemplo a ser seguido.

Reconhecer nossas limitações como pais e, a partir disso, buscar mudanças permitirá amadurecimento e edificação de seres humanos mais bem preparados para criar e educar outras pessoas, promover-lhes o desenvolvimento físico, espiritual, moral, mental, social.... Por aqui, já vejo sinais de clamor por privacidade, o surgimento do sentido de pudor e vergonha. A transição me exige respeito, adaptação e compreensão. Na adolescência isso se acentuará, certamente. Precisamos de um espaço para “nós mesmos” e, para isso, alguns laços são rompidos. Entretanto, permanecerei à disposição, no diálogo, no limite, na correção, no entendimento...

Não podemos abdicar da autoridade parental, mas exercê-la com amor. Posso buscar uma intimidade plena, para que meu filho encontre em mim a confiança e segurança para dialogar sobre tudo. Desta forma, seguiremos juntos por conta do vínculo afetivo pai/filho, porém, preciso compreender que há questões que pertencem só a ele, como outras que são somente minhas. Nesta trajetória, construímos laços, aprendemos, amadurecemos, detectamos afinidades e buscamos fortalecer esta relação de amizade. Até onde podemos ir? Nós decidiremos!

 

dicas de leitura

O caso do bolinho

O livro narra as aventuras de um bolinho que acabara de ser assado e que, de tanto que esperou na janela para esfriar, cansou-se e saiu rolando por aí. Feito pela vovó a pedido do vovô, o bolinho redondo e fofinho encontra algumas figuras que facilmente poderiam devorar-lhe, como a lebre e o lobo. Esperto que era, o bolinho se utiliza de uma canção para distrair seus predadores até chegar na capciosa raposa. Cantando vitória por ter escapado de tantos apuros, será que o bolinho conseguirá fugir de mais um faminto predador?

 

Ficha Técnica

Autor: Tatiana Belinky

Ilustração: Bruna Assis Brasil

Editora: Moderna

Páginas: 40

Preço: R$ 44

 

Fervi por dentro

Sabe aquela sensação que faz ferver por dentro e que dá vontade de sair quebrando tudo ou bater em alguém? Este livro vai mostrar aos leitores que é natural sentir raiva, porém há uma necessidade muito grande de controlá-la. Geralmente as crianças não têm consciência quanto a proporção da raiva que estão sentindo, ou mesmo como lidar com ela. Esse fator pode trazer problemas para sua vida emocional, escolar e pessoal. É importante que elas entendam como devem agir diante dessa sensação. O personagem que vai falar sobre este perigoso sentimento é o menino Aguar.

Ficha Técnica

Autor: Cleber Galhardi

Editora: Boa Nova

Páginas: 28

Preço: R$ 10,90

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